DECOLONIALIDADE NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: transformações no currículo, na formação docente e nas práticas avaliativas
DOI:
https://doi.org/10.7213/1981-416X.25.084.AO05Resumo
O artigo analisa criticamente o currículo de matemática sob a perspectiva da decolonialidade, desafiando a visão hegemônica da matemática como neutra e universal. Utilizando uma metodologia bibliográfica, fundamentada em autores como Quijano (2005), Skovsmose (2014) e D’Ambrósio (1998, 2002), dentre outros, evidencia como a predominância de epistemologias eurocêntricas marginaliza saberes de povos de culturas não ocidentais, perpetuando desigualdades sociais e educacionais. A partir das perspectivas da decolonialidade e da etnomatemática, o artigo propõe a reestruturação do currículo, valorizando saberes locais e tradicionais. Identifica a etnomatemática como alternativa viável, ao reconhecer a matemática como prática cultural e socialmente situada, conectada às realidades dos estudantes e promotora de justiça social. Destaca, ainda, o papel crítico da formação docente para integrar epistemologias diversas e repensar avaliações padronizadas que reforçam exclusões. Como resultados, aponta estratégias pedagógicas que promovem pluralidade epistêmica e inclusão. Conclui que a decolonialidade no currículo transforma o ensino de matemática em espaço de resistência e valorização cultural, contribuindo para a superação de desigualdades educacionais e formação de cidadãos críticos. Assim, a etnomatemática e a educação matemática crítica se consolidam como pressupostos de uma educação decolonial.
Downloads
Referências
ASCHER, Marcia. Ethnomathematics: A multicultural view of mathematical ideas. Pacific Grove: Brooks/Cole Publishing Company, 1991.
APPLE, Michael W. Ideologia e currículo. São Paulo: Brasiliense, 1982.
APPLE, Michael W. Educação e poder. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
ARAÚJO, Denise Lino de; NASCIMENTO, Antonio Naéliton do. Funções da escola: sujeitos, currículo e formação docente. Campina Grande: EDUFCG, 2023.
D'AMBROSIO, Ubiratan. Etnomatemática: elo entre as tradições e a modernidade. São Paulo: Ática, 2002.
D'AMBRÓSIO, Ubiratan. Etnomatemática e educação: construindo uma ponte entre culturas. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.
KATSAP, Ada; SILVERMAN, Fredrick L. Ethnomathematics of Negev Bedouins’ existence in forms, symbols and geometric patterns. Rotterdam: Sense Publishers, 2016.
KILPATRICK, Jeremy; HOYLES, Celia; SKOVSMOSE, Ole. Meaning in Mathematics Education. Springer, 2005.
MIGNOLO, Walter. On Decoloniality. Durham: Duke University Press, 2024.
NICOL, Cynthia; KNIJNIK, Gelsa; PENG, Aihui; CHERINDA, Marcos; BOSE, Arindam (Eds.). Ethnomathematics and Mathematics Education: International perspectives in times of local and global change. Cham: Springer, 2024.
POWELL, Arthur B.; FRANKENSTEIN, Marilyn (Eds.). Ethnomathematics: Challenging eurocentrism in mathematics education. Albany: State University of New York Press, 1997.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
RISDIYANTI, Irma; PRAHMANA, Rully Charitas Indra. Ethnomathematics: Teori dan Implementasinya: Suatu Pengantar. Yogyakarta: UAD Press, 2020.
SETATI, Mamokgethi; BANGURA, Abdul Karim. African Mathematics: From bones to computers. Lanham: University Press of America, 2011.
SILVA, Tomaz T. da. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Petrópolis: Vozes, 1999.
SKOVSMOSE, Ole. Critique as Uncertainty. New York: Springer, 2014.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Editora Universitária Champagnat

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os(As) autores(as) mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com a utilização da Licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0), que permite compartilhar, copiar, redistribuir o manuscrito em qualquer meio ou formato. Permite, também, adaptar, remixar, transformar e construir sobre o material, desde que seja atribuído o devido crédito de autoria e publicação no periódico, para qualquer fim. A Revista Diálogo Educacional proporciona acesso público a todo o seu conteúdo, possibilitando maior visibilidade e alcance dos artigos publicados, com apoio no Public Knowledge Project, que desenvolveu esse sistema para melhorar a qualidade acadêmica e pública da pesquisa e que permite distribuir o OJS e outros softwares de apoio ao sistema de publicação de acesso público a fontes acadêmicas. Ao publicar nesta revista, os(as) autores(as) concordam com os seguintes termos:
- Autores(as) mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores(as) têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores(as) têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online em blogs pessoais, repositórios institucionais e mídias sociais acadêmicas, bem como postando-os em suas mídias sociais pessoais, desde que seja incluída a citação completa à versão do website da revista, a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
- Autores(as) têm o direito de: a) Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial. b) Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.










