A escolaridade dos pais dos estudantes da educação de jovens e adultos em debate
DOI:
https://doi.org/10.7213/1981-416X.24.080.AO04Resumo
O propósito do texto é analisar a relação do nível de escolaridade dos pais dos estudantes matriculados na educação de jovens e adultos e as possíveis influências reveladas no processo de retorno às salas de aula da modalidade. A abordagem intergeracional e interdisciplinar dessa discussão, desperta interesse de entender se existe [ou não] relação entre a escolaridade dos pais com a situação dos estudantes, os quais, por razões diversas, deixaram de dar continuidade aos estudos na idade esperada, mas retornaram às salas de aula em busca de aprendizagem, formação e certificação escolar. A base teórica procede de Bourdieu (2003), DaMatta (2002), Castel (2010), Freire (1987) e Escóssia (2021) cujos processos de formação escolar e humana passam pela força do papel com a certificação e a apreensão dos conhecimentos como instrumentos de emancipação do indivíduo. A pesquisa qualitativa, do tipo participante, permitiu a interlocução feita in loco, com 33 (trinta e três) estudantes do ensino fundamental de uma escola pública, da EJA, no interior do estado do Ceará, em conversas gravadas em áudio, com base em três perguntas que pautaram a análise nas falas dos estudantes-respondentes. Diante dos achados no estudo, foi possível verificar a necessidade de superação das histórias familiares de insucesso escolar conduzidas a uma não repetição dessa trajetória intergeracional; a prospecção de um futuro possível mediante a certificação alcançada na conclusão da etapa escolar e, por fim, as chances de mobilidade social prometida com a certificação, convertida em melhores oportunidades profissionais associadas à transformação social.
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Referências
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