CLIMAS DE FORMAÇÃO: CONSTRUÇÃO DE UM QUADRO CONCEITUAL ADEQUADO AO ESTUDO DA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Leanete Thomas Dotta, Amélia Lopes

Resumo


As fortes mudanças que têm ocorrido em relação à educação superior — nomeadamente a insistência na relevância social da formação para a atividade profissional e o emprego — têm resultado numa maior importância dada aos ambientes de formação. A ideia orientadora é a de que a aprendizagem efetiva depende também de um conjunto de oportunidades de aprendizagem que vão para além do que o professor possa fornecer aos estudantes numa aula. As denominações adotadas e os conceitos utilizados para o estudo desses ambientes são diversos — “clima organizacional”, “cultura organizacional”, “clima de escola”, “cultura espistêmica”, “paisagem do conhecimento profissional”, entre outros — e captam, cada um à sua maneira, aspectos parciais do campo em estudo. Tomando como ponto de partida uma revisão de literatura sobre os referidos conceitos e o estabelecimento de relações entre eles, pretende-se apresentar um quadro teórico-conceitual que denominamos “Climas de formação profissional”, que tem o potencial de fornecer elementos para uma análise sistêmico-ecológica das complexidades inerentes aos processos formativos de profissionais na educação superior, independente da área de formação.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.15.044.AO01

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