Perfil de educadores infantis: contribuições para as discussões sobre a formação continuada

Ana Paula Zaboroski, Jáima Pinheiro de Oliveira

Resumo


A inclusão de creches no sistema educacional gerou grandes impasses e indicou fragilidades em relação às políticas municipais voltadas para a Educação Infantil. Uma dessas fragilidades é a formação do educador responsável por essa etapa inicial da Educação Básica. Dentro desse contexto, o objeto do nosso estudo é o perfil desse profissional,tendo como objetivo identificar a frequência de educadores atuantes em instituições de educação infantil de uma cidade do Estado do Paraná, bem como o nível de escolaridade dos mesmos. Nosso estudo utilizou abordagem quantitativa e análise descritiva. Coleta de dados foi feita em documentos de registros (relatórios e livros de registros) de sete instituições no período de 2005 a 2007. Os resultados indicaram um percentual variado de professores efetivos ao longo dos anos: 2005 (44%), 2006 (32%) e 2007 (20%). Em relação ao nível de escolaridade, observamos um predomínio do Ensino Médio Completo (60%),sendo este índice a média dos anos analisados. Além disto, verificou-se a presença de um número elevado (40) de profissionais com nível de escolaridade abaixo do ensino médio Completo, o qual não é condizente com a exigência em relação à legislação vigente. Foi observado ainda um alto índice de rotatividade de profissionais no quadro funcional de todas as instituições analisadas. Concluímos que o momento exige políticas públicas de investimento, entendidas não apenas como contratação de profissionais, mas sim como qualidade de atendimento. Considerando principalmente a formação profissional sugerida pela legislação vigente e planejamentos que traduzam uma preocupação com a articulação entre o nível administrativo e pedagógico. 

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.6099

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