AUTORIDADE NA ESCOLA E INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

Candido Alberto Gomes, Adriana Lira, Marlene Monteiro Pereira

Resumo


O aumento das violências das/nas escolas, bem como a crise de autoridade, tem motivado o desenvolvimento de pesquisas, inclusive as que as relacionam com a formação inicial e continuada de professores. Parte destas analisa a socialização profissional do magistério e encontra questões, como novas faces do “choque de realidade” dos docentes. Assim, efetuou-se uma investigação sobre as percepções dos licenciandos a respeito das violências, da autoridade e do seu próprio preparo para fazer face aos problemas emergentes. Os resultados, obtidos por meio de grupos focais realizados com estudantes de magistério, confirmam a sensação de ISSN 1518-3483 Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 28, p. 481-496, set./dez. 2009 Licenciado sob uma Licença Creative Commons 482 GOMES, C. A.; LIRA, A.; PEREIRA, M. M. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 28, p. 481-496, set./dez. 2009 despreparo para a imersão, ainda que gradual, na prática. Um dos temas silenciados na formação e na pesquisa é a autoridade do educador, como esta se define e se mantém. Parece ser um assunto tabu, de que se fala indiretamente, por meio do “controle de classe” e da indisciplina. Esta lacuna pode conduzir ao trato inadequado da realidade e à redução do ímpeto renovador dos novos mestres. Entre as propostas dos participantes, destacam-se a construção de um gradiente teoria-prática mais adequado, o caráter mais aplicado das disciplinas e o desenvolvimento da capacidade de encontrar soluções, sem receituários.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rde.v9i28.3217

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