A Escola Guatemala e as memórias de uma experiência educacional de vanguarda

Bernadete de Lourdes Streisky Strang, Okçana Battini, Reinaldo Benedito Nishikawa

Resumo


O presente trabalho tem como objetivo compreender a experiência educacional realizada na Escola Guatemala nas décadas de 1950 e 1960, sustentado pela tríade de conceitos: memória (LE GOFF, 1990; ROSSI, 2010), projeto (VELHO, 1999) e identidade (POLLAK, 1992). Os anos em que o mundo digladiava-se na Grande Guerra trouxeram resultados funestos para a economia de muitos países, especialmente aqueles em desenvolvimento. Isso determinou um reordenamento mundial, cada país adotando estratégias e medidas para suprir seus déficits. No campo da educação, o momento também reclamava uma reestruturação; era preciso encontrar mecanismos que atendessem à enorme demanda social gerada pela crise pós-guerra. Nesse contexto, nasceu a Escola Guatemala, inaugurada em abril de 1954 pelo governo do Distrito Federal, que se tornou no ano seguinte o primeiro Centro Experimental de Educação Primária do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Com a descaracterização do órgão após o golpe de 1964, a escola foi perdendo o status de “centro de experimentação”. Oficialmente, no entanto, deixou de ser experimental na década de 1970, quando o Inep foi transferido para Brasília.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.13.040.DS07

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