ESCOLARIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO: a contribuição da Psicologia Histórico-Cultural
DOI :
https://doi.org/10.7213/rde.v4i10.6407Résumé
O texto apresenta questões relevantes quanto à contribuição da psicologia histórico-cultural para a reflexão sobre as relações entre escolarização e desenvolvimento do pensamento. A questão fundamental: se a escola ensina a pensar, qual é exatamente seu efeito sobre os sujeitos que por ela passam? As posições tradicionalmente defendidas oscilam entre postular um modo superior de pensar, que distinguiria o sujeito que passa pela escola daquele que não passa, e propor que qualquer modo de pensar seria igualmente valioso e que, portanto, a escola não teria nenhum efeito relevante. A posição que avança em relação a essas duas busca contextualizar historicamente a instituição escolar, atribuindo à presença de determinados instrumentos culturais a fonte das diferenças observadas nas modalidades de pensamento. Destaca-se a heterogeneidade dos sujeitos no processo de formação de seu psiquismo, em que a configuração de cada sujeito é absolutamente singular, resultante de sua potencialidade tipicamente humana, do momento da vida em que se encontra, de sua imersão em determinados grupos culturais, do desenvolvimento de sua história familiar e pessoal. A escola, enquanto instituição historicamente contextualizada, apresenta certa proximidade em sua organização interna com relação às etapas de desenvolvimento propostas pela psicologia. Apresenta, também, clara ruptura com as práticas de ação e pensamento típicas do cotidiano. Essas características são bastante compatíveis com os postulados da abordagem histórico-cultural.
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