Educando a sensibilidade: a puericultura como alicerce da moral e do trabalho na Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados (Curitiba, 1928-1944)
DOI:
https://doi.org/10.7213/rde.v11i34.4510Resumen
Este texto é parte da pesquisa concluída que explora alguns dos pressupostos da puericultura como prescrição curricular para a Escola Maternal da Sociedade de Socorro aos Necessitados (SSN), criada em Curitiba em 1928. Entre tantas atividades previstas pelos idealizadores daquela instituição de assistência à infância, a Escola Maternal se caracterizou pela preocupação em oferecer a escolarização à infância ali assistida, cobrindo as idades de 0 a 12 anos, em três fases distintas: a creche, o jardim de infância e o curso doméstico. Nela a puericultura, a moral e o trabalho ganhavam relevo, e apresentavam-se como eixos de fundamental importância para a concretização do “objetivo máximo da Escola Maternal: higiene, ordem e disciplina”. Entendidas essas três dimensões da formação como intrinsecamente ligadas à educação do corpo e das sensibilidades, consideramos que o espargir da puericultura, da moral e do trabalho foi realizado com base na desqualificação da maior parte da população não só local, mas brasileira, ainda carente de um “choque de civilidade”. Na documentação captamos ecos de um momento fundador do currículo, a sua prescrição, verificando como a puericultura se articulava à moral na tentativa de desenvolver uma sensibilidade afeita ao mundo do trabalho. Este, por sua vez, era justificado por uma retórica de cunho religioso, assistencial e caritativo para afirmar em corações e mentes infantis o lugar de cada um naquele mundo.Descargas
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