O logos freireano: os paradoxos da palavra que quebra o silêncio e liberta

Peri Mesquida, Abdeljalil Akkari

Resumo


Por quase cinco séculos, a maioria das descobertas científicas e tecnológicas foi feita em países europeus ou sob controle europeu. Mas, esta supremacia, que tem sido de curta duração quando se leva em conta a história humana, ocorreu no contexto das relações coloniais dominantes entre a Europa e o resto do mundo. A supremacia europeia na produção de conhecimento foi, no entanto, enfraquecida pela descolonização e pelo inacabado movimento de minorias culturais pela igualdade. No campo da educação e da pedagogia, Paulo Freire deu uma contribuição fundamental. Por isso mesmo, nenhum livro sobre educação naquele que chamamos Mundo da Maioria pode deixar de se referir à obra de Paulo Freire, seja assumindo seu pensamento filosófico, social e pedagógico, seja criticando. Tanto o autor da Pedagogia do oprimido, quanto sua equipe estiveram no centro de muitas discussões pedagógicas em todo o mundo. A interpretação de seu legado varia de acordo com o contexto em que ocorre. Na Europa, Freire é mais conhecido por seu método de alfabetização de adultos. Nos EUA, os teóricos críticos da sociologia e da educação usaram vários conceitos freirianos para abordar as desigualdades educacionais (APPLE, 1996; GIROUX, 1997; MCLAREN, 1997). Na América Latina e em outros países do Terceiro Mundo, o principal ponto de interesse está centrado no valor sócio-político da pedagogia de Freire (LOIOLA e BORGES, 1996; NÓVOA, 1996). Pretendemos neste artigo discutir sobre os aspectos da teoria de Freire que estiveram presentes, ou podem se fazer presentes nas reformas educacionais no Mundo da Maioria. Em algumas seções deste artigo mostraremos os paradoxos da palavra que silencia e da palavra que quebra o silêncio. Em primeiro lugar, argumentamos que os estudiosos da educação comparada não entenderam com clareza a teoria da educação de Freire para diferenciar escolaridade e educação. Na segunda seção, examinamos as ideias de Freire na prática. Examinamos o poder da abordagem de alfabetização freireana, na terceira seção e, na quarta, concluímos com a sugestão de algumas proposições para construir uma educação crítica baseada na herança pedagógica de Freire.


Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.7213/1981-416X.18.059.DS05

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2018 Editora Universitária Champagnat