Justiça escolar em um contexto de contradições: as representações de estudantes de licenciatura

Romilda Teodora Ens, Ana Maria Eyng, Maria Lourdes Gisi

Resumo


Este artigo analisa as representações sociais de estudantes de licenciaturas sobre a efetividade da justiça social na escola de educação básica. O tema é complexo e estudado num contexto caracterizado pelas tensões entre a inclusão da diversidade por um lado e a exclusão, por outro lado, produzida na extrema valorização dos índices avaliativos, previstos nas políticas educacionais. A formação e o trabalho de professores necessariamente requerem análises sobre a temática, motivo pelo qual se buscou obter as representações de estudantes de cursos de licenciatura sobre justiça e justiça na escola. Aspectos esses que foram sendo delineados por meio de pesquisa de abordagem qualitativa, com o uso da técnica Delphi. Dos dados sistematizados, emergiram as categorias que são analisadas com o aporte teórico das representações sociais, Dessa forma a justiça e a injustiça se tornam forças antagônicas e em contradição no corpo das políticas educacionais que podem inviabilizar a efetivação da justiça social na educação básica. Tais contradições são perceptíveis nas representações de professores em formação, indicando a necessidade de efetivação de estratégias de redistribuição e de reconhecimento nas políticas e práticas educativas.

Texto completo:

PDF

Referências


AGUILAR, M. J.; ANDER-EGG, E.; CLASEN, J. A avaliação de serviços e programas sociais. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

AFONSO, A. J. Para uma concetualização alternativa de accountability em educação. Educ. Soc., Campinas, SP, v. 33, n. 119, p. 471-484, abr.-jun. 2012. Disponível em:. Acesso em: 15 dez. 2015.

BRANDÃO, C. R. Pesquisa-participar. In: BRANDÃO, C. R. (Org.). Pesquisa participante.7. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. p. 9-16.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Tradução Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 2000.

BARREIRA, M. C. R. N. Avaliação participativa de programas sociais. São Paulo:Veras Editora, 2000.

DUBET, F. Os limites da igualdade de oportunidade. Tradução de Antonio Augusto Gomes Batista. Notas técnicas de Vanda Mendes Ribeiro. Cadernos Cenpec, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 171-179, dez. 2012.

DUBET, F. Injustiças: a experiência das desigualdades no trabalho. Florianópolis: Editora UFSC, 2014

DUBET, F. Entrevista con François Dubet “Casi todas las escuelas son injustas”:

EDUCACIÓN. 2 jul 2015. Disponível em:

noticias/educacion/casi-todas-escuelas-son-injustas-francois-dubet-articulo-569824>. Acesso em: dez. 2015.

ENS, R. T.; GISI, M. L. Políticas educacionais no Brasil e a formação de professores. In: ENS, R. T.; BEHRENS, M. A. (Orgs.). Políticas de formação do professor: caminhos e perspectivas. Curitiba: Champagnat, 2011. p. 25-50.

ENS, R. T.; OLIVEIRA, J. L. Educação em Direitos Humanos: intenções e desafios. In: ENS, R. T.; VILLAS BÔAS, L.; BEHRENS, M. A. (Orgs.). Espaços educacionais: das políticas docentes à profissionalização. Curitiba: Champagnat; São Paulo: FCC, 2015. p. 281-308.

EYNG, A. M. A formação do homem no processo pedagógico e sua fundamentação antropo-filosófica: um estudo de caso. Dissertação (Mestrado em Educação), Curitiba, 1995. (Mimeo).

ESTÊVÃO, C. V. Direitos humanos, justiça social e educação pública: repensar a escola pública como um direito na era dos mercados. In: EYNG. Ana Maria (Org.). Direitos humanos e violências nas escolas: desafios e questões em diálogo. Curitiba: Editora CRV, 2013. p. 13-28.

FRASER, N. La justicia social en la era de la política de identidad: redistribución, reconocimiento y participación. Revista de Trabajo, Año 4, n. 6, p. 83-99, ago.- dic. 2008. Disponível em:

-dic_fraser.pdf>. Acesso em: 03 jan.2016.

FRASER, N. A justiça social na globalização: redistribuição, reconhecimento e participação

», Revista Crítica de Ciências Sociais, n.63, p. 07-20, out. 2002. Disponível

em: http://rccs.revues.org/1250; DOI: 10.4000/rccs.1250. Acesso em: 03 jan.2016.

GAMARNIKOW, E. Educação, (in)justiça social e direitos humanos: combatendo desigualdades na globalização turbocapitalista. Revista Brasileira de Educação, v. 18, n. 52, p. 189-197, jan/mar. 2013.

JODELET, D. As representações sociais: um domínio em expansão. In: JODELET, D. (Org.). As representações sociais. Tradução de Lilian Ulup. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001. p.17-44.

JOVCHELOVITCH, S. Os contextos do saber: representações, comunidade e cultura. Petrópolis. Vozes, 2008.

MAINARDES, J.; MARCONDES, M. I. Entrevista com Stephen J. Ball: um diálogo sobre justiça social, pesquisa e política educacional. Educ. Soc., Campinas, v. 30, n. 106, p. 303-318, jan./abr. 2009. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2013.

MOSCOVICI, S. A representação Social da Psicanálise. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.

MOSCOVICI, S. Representações Sociais: investigação em psicologia social. Tradução Pedrinho A. Guareschi. Petrópolis: Vozes. 2003.

SAVIANI, D. A supervisão educacional em perspectiva histórica: da função à profissão pela mediação da ideia. In: FERREIRA, N. S. C. (Org.). Supervisão Educacional para uma escola de qualidade: da formação a ação. São Paulo: Cortez, 1999. cap. 1, p.13-38.

SHIROMA, E. O. Redes sociais e hegemonia: apontamentos para estudos de políticas educacionais. In: AZEVEDO, M. L. N. de; LARA, A. M. de B. (Orgs.). Políticas para a educação: análises e apontamentos. Maringá: Eduem, 2011. p.15-38.

SHIROMA, E. O.; CAMPOS, R. F.; GARCIA, R. M. C. Decifrar textos para compreender a política: subsídios teóricos-metodológicos para análise de documentos. Revista Perspectiva, Florianópolis, v. 23, n. 2, p. 427-446, jul./dez. 2005. Disponível em:

< http://www.ced.ufsc.br/nucleos/nup/perspectiva.html>. Acesso em: 14 set. 2015.

XIMENES, S. B. Responsabilidade educacional: concepções diferentes e riscos iminentes ao direito a educação. Educação & Sociedade, Campinas, SP, v. 33, n. 119, p. 353-377, abr./jun. 2012.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.16.047.DS05

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat