O eLearning em estabelecimentos prisionais: possibilidades e limites para a inclusão digital e justiça social

Angélica Maria Reis Monteiro, José António Moreira, Carlinda Leite

Resumo


As mudanças decorrentes do progresso tecnológico, característico da globalização deram origem a uma “nova sociedade” baseada na informação e no conhecimento, que gera, inevitavelmente, novas desigualdades educativas, mais evidentes em grupos menos favorecidos e em situação de exclusão social, como é o caso das pessoas em situação de reclusão. Este fato justifica que, em contexto prisional, para além da garantia do direito à educação, seja preciso ter em atenção a qualidade da formação no que diz respeito ao desenvolvimento de competências-chave para a participação na sociedade digital e em rede. Este artigo aborda o processo de formação num estabelecimento prisional português, com recurso ao eLearning, analisando o contributo deste procedimento para a promoção da justiça social. Neste sentido, são apresentadas as vantagens e as limitações desta modalidade de aprendizagem a partir da percepção de formandas reclusas. Os dados foram recolhidos através de um questionário e de um focus group, e foram analisados através de análise de conteúdo. Como principais resultados apontam-se, ao nível de justiça social, o aumento da oportunidade de acesso e de participação em ambientes digitais. Como vantagens da formação, as participantes expressaram, ainda, o aumento da autoestima e o desenvolvimento de competências de aprendizagem. Por outro lado, a desmotivação e a dificuldade de conciliação da formação com a rotina diária foram os principais obstáculos identificados.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/dialogo.educ.16.047.DS04

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