Professor e pesquisador: considerações sobre a problemática relação entre ensino e pesquisa

Marcos Francisco Martins, Adriana Varani

Resumo


O presente artigo trata das potencialidades e dos dilemas vividos na relação entre o trabalho do professor e o do pesquisador. Inicialmente, são identificadas especificidades no labor docente e de pesquisadores, e apontadas possibilidades de articulação entre ambos. Na segunda parte, são revisitados autores que tratam dessa questão e que têm forte influência nesse debate recentemente desenvolvido no Brasil. Posteriormente apresentam-se duas partes, nas quais são mencionadas as complexidades que se verificam no processo de articulação entre ensino e pesquisa, para, nas linhas conclusivas, apontar como desafio aos professores e aos pesquisadores a superação do teoricismo acadêmico-científico, do praticismo docente, do utilitarismo que recorrentemente identifica tanto a prática investigativa quanto a educativa, bem como a promoção das adequadas condições para que os professores possam realizar investigações articulando ensino e pesquisa, o que exigirá a identificação de problemas que sejam significativos à comunidade escolar e à comunidade científica e o distanciamento de paradigmas teórico-metodológicos de tradição positivista. 

Texto completo:

PDF

Referências


ALARCÃO, I. Refletir na prática. Entrevista a Denise Pellegrini. Disponível em: . Acesso em: 12 dez. 2010.

ANDRÉ, M. (Org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. 5. ed. Campinas: Papirus, 2006. (Série Prática pedagógica).

BARROS, R. Questão técnica ou política? Secretário estadual paulista culpa universidades por má formação docente. Representantes de USP e Unicamp desqualificam a crítica. Revista Educação, n.155,2010. Disponível em:. Acesso em: 29 nov. 2010.

BRANDÃO, C. R. (Org.). Repensando a pesquisa participante. 2. ed. São

Paulo: Brasiliense, 1985.

BRANDÃO, C. R. A pergunta a várias mãos: a experiência da pesquisa no trabalho do educador. São Paulo: Cortez, 2003. (Série Saber com o outro, v. 1).

BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Conselho Nacional de Educação /Conselho Pleno. Resolução CNE/CP 1, de 15 maio de 2006. Institui diretrizes curriculares nacionais para o curso de graduação em Pedagogia, licenciatura. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, 15 maio 2006. Seção 1, p. 11. Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2009.

COMÊNIO, J. A. Didáctica magna. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966.

DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

DEMO, P. Educar pela pesquisa. 8. ed. Campinas: Autores Associados, 2007. (Coleção Educação contemporânea).

FEYERABEND, P. K. Contra o método. 3. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1989.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. (Coleção O mundo, hoje, v. 21).

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREITAS, L. C. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. São Paulo: Papirus, 1995.

GATTI, B. A. Pesquisa, educação e pós-modernidade: confrontos e dilemas. Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 126, p. 595-608, 2005.

GEORGEN, P. Pós-modernidade, ética e educação. Campinas: Autores

Associados, 2001. (Coleção Polêmicas de Nosso Tempo, v. 79).

GERALDI, C. M. G.; FIORENTINI, D.; PREREIRA, E. (Org.). Cartografias do trabalho docente: professor(a)-pesquisador(a). Campinas: Mercado de Letras; Associação de Leitura do Brasil, 1998. (Coleção Leituras no Brasil).

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GRAMSCI, A. Concepção dialética da história. 10. ed. Rio de Janeiro:

Civilização Brasileira, 1995a.

GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. 9. ed. Rio de

Janeiro: Civilização Brasileira, 1995b.

GROPPO, L. A.; MARTINS, M. F. Introdução à pesquisa em educação. 2. ed. Piracicaba: Biscalchin, 2007a.

GROPPO, L. A.; MARTINS, M. F. Formação de professores como pesquisadores em educação. Revista Diálogo Educacional, v. 7, n. 22, p. 229-244, 2007b.

HARVEY, D. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 3. ed. São Paulo: Loyola, 1993.

JAPIASSU, H. O mito da neutralidade científica. Rio de Janeiro: Imago, 1975. (Série Logoteca).

KONDER, L. O futuro da filosofia da práxis: o pensamento de Marx no século XXI. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo:

Perspectiva, 2000.

LÖWY, M. Ideologias e ciências sociais: elementos para uma análise marxista. 13. ed. São Paulo: Cortez, 1999.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

LÜDKE, M. Pesquisa em educação: conceitos, políticas e práticas. In: GERALDI, C. M. G.; FIORENTINI, D.; PEREIRA, E. M. A. (Org.). Cartografias do trabalho docente: professor(a)-pesquisador(a). campinas: Mercado de Letras; Associação de Leitura do Brasil, 1998. p. 23-32. (Coleção Leituras no Brasil).

MARTINS, M. F. Marx, Gramsci e o conhecimento: ruptura ou continuidade? Campinas: Autores Associados; Americana: Unisal, 2008. (Coleção Educação contemporânea).

MORA, J. F. Dicionário de filosofia. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2004. Tomo III: K-P.

NÓVOA, A. (Coord.). Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992. (Coleção Nova enciclopédia, n. 39).

POLANYI, M. The tacit dimension. London: Routledge and Kegan Paul, 1966.

POPPER, K. R. Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1975. (Coleção Espírito do nosso tempo, v. 13).

SANTOS, L. L. C. P. Dilemas e perspectivas na relação entre ensino e pesquisa. In: ANDRÉ, M. (Org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. 5. ed. Campinas: Papirus, 2006. p. 11-25. (Série Prática pedagógica).

SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. São Paulo: Cortez e Autores Associados, 1980. (Coleção Educação contemporânea).

SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 3. ed.

São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1992. (Coleção Polêmicas de nosso tempo, v. 40).

SAVIANI, D. O debate teórico-metodológico no campo da história e sua importância para a pesquisa educacional. In: SAVIANI, D.; LOMBARDI, J. C.; SANFELICE, J. L. (Org.). História e história da educação. Campinas: Autores Associados; HISTEDBR, 1998. p. 7-15. (Coleção Educação Contemporânea).

SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 2008.

(Coleção Educação Contemporânea).

SCHÖN, D. A. Formar professores como profissionais reflexivos. In: NÓVOA, A. (Coord.). Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992. p. 75-91. (Coleção Nova Enciclopédia, n. 39).

SOUZA, P. R. Contra o coorporativismo. 2009. Disponível em: . Acesso em: 30 out. 2009.

VÁZQUEZ, A. S. Filosofia da praxis. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

ZEICHNER, K. Novos caminhos para o practicum: uma perspectiva para os anos 90. In: NÓVOA, A. (Coord.). Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992. p. 113-138. (Coleção Nova Enciclopédia, n. 39).

ZEICHNER, K. Formando professores reflexivos para a educação centrada no aluno: possibilidades e contradições. In: BARBOSA, R. L. L. (Org.). Formação de educadores: desafios e perspectivas. São Paulo: Ed. da UNESP, 2003. p. 35-55.




DOI: https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.7196

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat