Formação para o magistério: o discurso dos formadores
DOI:
https://doi.org/10.7213/rde.v11i33.4294Resumo
A formação de professores para as primeiras séries tem sido, na última década, objeto de extenso debate, no qual se observam controvérsias teóricas, ambiguidades normativas,bem como ampla diversidade nos currículos implementados pelas universidades. Diante desse cenário consideramos relevante investigar como professores de cursos dePedagogia, responsáveis pela formação daqueles docentes, representam esse processo. A opção pelo referencial das representações sociais se deve ao fato de que estastêm por funções contribuir para a construção de uma realidade comum a um conjunto social e orientar e justificar as práticas dos sujeitos que o compõem. Os dados foram coletados por meio de um teste de livre evocação com justificativas, aplicado a 51 docentes de Pedagogia, e 15 entrevistas de aprofundamento. Os professores, no geral,apresentaram um discurso fragmentado, pontilhado por expressões retiradas da literatura corrente, sem, contudo, conseguir costurar uma imagem coerente do que seria a formação para o magistério. Entre essas expressões destaca-se professor reflexivo, aparentemente usada mais como um jargão do que como um conceito bem assimilado.Esses resultados nos levaram a questionar a existência de uma representação de formação para o magistério entre esses professores, parecendo que eles têm apenas opiniões, ou mesmo atitudes, mas não uma representação estruturada. Considerou-se que a existência de duas racionalidades em disputa, tanto nas discussões relativas às Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia como na literatura sobre formação do professor, tenha contribuído para a dispersão observada nas respostas ao teste de associação e nas entrevistas.Downloads
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