MEMÓRIA E FONTES ICONOGRÁFICAS: OS DESAFIOS PARA A PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Teresa Jussara Luporini

Resumo


A prática de análise de documentos tem colocado os historiadores da Educação diante de múltiplos desafios: o contato com arquivos públicos e particulares, as políticas adotadas para a sua manutenção assim como os procedimentos utilizados para o atendimento ao público especializado e o domínio de fundamentos teóricos e definição de procedimentos metodológicos para proceder ao estudo de documentação/linguagens específicas. O presente trabalho objetiva analisar as possibilidades de utilização de registros fotográficos como fonte de pesquisa em estudos históricos relativos à Educação. A partir da caracterização dos materiais coletados pelo GT dos Campos Gerais do Paraná (UEPG) do HISTEDBR, procede-se à reflexão sobre os princípios teórico-práticos adotados para a análise da massa documental arrolada. A análise dos registros fotográficos amparou-se na compreensão de que a documentação examinada expressa um suporte reconstruído pela especificidade própria à representação do instrumento que a produz: a câmera fotográfica. Tal reflexão reconhece a natureza da fonte documental - a fotografia - que marca a história contemporânea pela possibilidade de definir a “veracidade” de realidades passadas, perenizando o vivido e criando uma memória futura que passa a distinguir esse período histórico daqueles que o antecederam. A contextualização dos registros fotográficos revela tanto aspectos de organização, controle e disciplina presentes no ambiente escolar quanto a tradição das fotos oficiais, retratando grupos de alunos e professores de forma unida, hierarquizada, expressando uma identidade coletiva, exemplar para a comunidade onde convivem, demonstrando união e boa convivência, desconsiderando, assim, a teia de relações sociais que produz tensões e conflitos. O estudo contribui para o aprofundamento da compreensão sobre o contexto da criação e desenvolvimento do sistema escolar na região dos Campos Gerais, na primeira metade século XX.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rde.v5i14.7379

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