LIBERTINAGEM COMO LINGUAGEM Refletindo as analogias

Francisco Verardi Bocca

Resumo


O presente artigo tem a intenção de refletir sobre a noção de logoteta
atribuída por Barthes a Sade. Para isso ele admite que a despeito da
língua de Sade apresentar um caráter artificial, o que a distinguiria da
linguagem natural tematizada por Saussure, não obstante, em sua
formulação recorre às mesmas operações que dão constituição à
linguagem natural, o que permite pensar que a noção de língua se aplica à organização da orgia, em particular, e à obra de Sade, em sentido geral. Aqui veremos que Barthes, a exemplo do que propôs Saussure, mais uma vez realiza uma extrapolação da noção de língua, que foi a princípio concebida como o objeto próprio da lingüística, a outros sistemas simbólicos não lingüísticos. Por conta disso, haveremos de investigar até que ponto a nova língua de Sade compartilha da natureza arbitrária e imotivada da língua saussuriana. Em outras palavras, a adequação do uso do conceito de língua à ordenação erótica que Sade concebe e que Barthes reconhece segundo um estatuto de linguagem.


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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rfa.v18i23.8588

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