Feenberg e a filosofia da tecnologia norte-americana: o empirical turn

Ivan Domingues

Resumo


Pretende-se abordar a proposta feenbergeriana da transformação da tecnologia, ao procurar um caminho que se distanciasse igualmente (a) da abordagem heideggeriana, que toma a tecnologia como Gestell (Framing = enquadramento), a natureza como reserva à disposição (Standing reserve) e a civilização tecnológica como destino, aprisionando a humanidade no imenso sistema que ela mesma criou; (b) da abordagem da filosofia analítica, que toma a tecnologia como aplicação da ciência e pensa a filosofia da tecnologia na extensão da filosofia da ciência, tomando-a como conhecimento prático (know-how) e procurando circunscrever o silogismo prático (regra de ação) que estabelece o liame entre o conhecimento, o artefato e a ação; e (c) da abordagem marxista tradicional, que toma a tecnologia como força produtiva e pensa a filosofia da tecnologia na extensão da economia, portanto como algo neutro, seja como máquina, seja como ferramenta (= instrumento). Em seu percurso intelectual, Feenberg buscou na Teoria Crítica os elementos para repensar a natureza da tecnologia, encontrando-os nas categorias de práxis, totalidade, razão instrumental, dialética etc.; não sem, ao mesmo tempo, introduzir um tour de force para se livrar do pessimismo atávico de Adorno e do otimismo romântico de Marcuse. Em seguida, sem abandonar a herança frankfurtiana, ele se alinhou à perspectiva do empirical turn, que caracteriza um importante segmento da filosofia da tecnologia norte-americana atual, bem como os chamados Social Studies of Science, aos quais se acrescenta a Tecnologia, tendo o construtivismo social e a escola francesa (Bruno Latour) como principais interlocutores. O foco deste artigo é o empirical turn, marcado pela busca de apoio empírico nas considerações filosóficas acerca dos sistemas sócio-técnicos (estudos de casos etc.), além do desafio de não deixar a filosofia da tecnologia se servilizar pela sociologia/antropologia das tecnociências. 

Texto completo:

PDF

Referências


ACHTERHUIS, H. (Ed). American Philosophy of Technology: The Empirical Turn. Bloomington: Indiana U.P., 2001.

DOMINGUES, I. O continente e a ilha: duas vias da filosofia contemporânea. São Paulo: Loyola, 2009.

FEENBERG, A. Alternative Modernity: The Technical Turn in Philosophy and Social Theory. Berkeley: University of California Press, 1995.

FEENBERG, A. Questioning Technology. Abingdon; NewYork: Routledge, 2006.

IHDE, D. Foreword. In: ACHTERHUIS, H. (Ed). American Philosophy of

Technology: The Empirical Turn. Bloomington: Indiana U.P., 2001.

KROES, P.; MEIJERS, A. (Ed.). The Empirical Turn in the Philosophy of Technology. Bringlley: Emerald Group, 2000.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/aurora.27.040.DS01

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.