GOVERNAMENTALIDADE E PRÁTICAS PSICOLÓGICAS: A GESTÃO PELA LIBERDADE

Arthur Arruda Leal Ferreira

Resumo


O objetivo deste artigo é estabelecer as relações entre práticas psicológicas e práticas de governo ou governamentalidade, conceituada por Michel Foucault como arte de “condução da conduta alheia”. O guia utilizado para se entender este trabalho genealógico são os cursos Segurança, Território, População e O Nascimento da Biopolítica. Trabalho prosseguido por Nikolas Rose, buscando atrelar de modo específico o surgimento dos saberes psicológicos aos modos liberais de governo. O ponto nevrálgico dessa história do governo se encontraria no século XVI, quando começam a proliferar os Manuais de Governo, fundamentados na Razão de Estado. Estes manuais não estariam mais baseados em dispositivos legais, mas na necessidade do disciplinamento e registro constante de inúmeros aspectos das vidas dos governados, caracterizando o “Estado de polícia”. Contudo, notadamente a partir do século XVIII, surgem novas tecnologias de governo, patrocinadas pelos pensadores fisiocratas e liberais. A população é vista como um ente natural do qual se deve governar, não mais intervindo em todos os detalhes como no “Estado de polícia”, mas acompanhando todas as suas flutuações livres. Aqui o governo se define como tecnocracia, no conhecimento científico dos movimentos naturais e espontâneos dos governados, investindo especialmente na gestão destes através da sua liberdade. Nestas novas formas de governo presentes nas sociedades democráticas contemporâneas, as práticas psicológicas teriam especial importância enquanto modo de gestão liberal pautada pelo esquadrinhamento de um grupo de variáveis da vida dos indivíduos e pela incitação a uma série de mecanismos de autorregulação e autogoverno.

Texto completo:

PDF

Referências


CALIMAN, L. Dominando corpos, conduzindo ações: genealogias do Biopoder em Foucault. 2002. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) –Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.

FOUCAULT, M. História da sexualidade I. Rio de Janeiro: Graal, 1976.

______. Omnes et singulatim. In: MOREY, M. (Org.). Tecnologias del yo. Barcelona: Paidós/ICE – UAB, 1996. p. 95-140.

______. Nascimento da biopolítica. In: ______. Resumo dos cursos no Collège de France. Rio de Janeiro: Zahar, 1997. p. 87-97.

______. Seguridad, territorio, población. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2006.

______. Nacimiento de la biopolítica. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2007.

ROSE, N. Inventing our selves. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.

SENELLART, M. As artes de governar. São Paulo: Ed. 34, 2006.

VEYNE, P. Foucault revoluciona a história. In: ______. Como se escreve a história? Brasília: Universidade de Brasília, 1980. p. 237-285.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rfa.v21i28.1138

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.