Professor-pesquisador: concepções e práticas de mestres que atuam na educação básica

Rita Buzzi Rausch

Resumo


Embora na formação de professores busca-se formar o professor-pesquisador e a pesquisa seja reconhecida como atividade fundamental, o seu uso e significado geram polêmicas. Além das licenciaturas, a formação do professor-pesquisador é intenção também de diferentes programas de pós-graduação stricto-sensu no país. Neste sentido, buscamos investigar: quais as concepções e práticas de pesquisa de professores mestres que atuam na docência na Educação Básica? O objetivo foi conhecer as concepções e práticas em pesquisa de professores mestres. De abordagem qualitativa, realizamos entrevista semiestruturada com oito mestres docentes. Quanto à concepção de professor-pesquisador identificamos três vertentes: a) o profissional que se mantêm atualizado; b) o profissional que prioriza a pesquisa em detrimento do ensino; c) o profissional que investiga sua prática docente. Nesta última concepção, porém, não percebemos o entendimento de pesquisa como um processo sistematizado, no sentido de se fazer ciência relacionada à docência. A maioria dos professores demonstrou interesse e habilidade em realizar pesquisas na escola, porém, manifestou impossibilidades devido a fatores relacionados à estrutura física, falta de tempo, baixa remuneração e ao pouco apoio por parte dos gestores. A maioria destacou que o mestrado contribuiu com sua formação de professor-pesquisador. Este estudo permitiu analisar que na literatura educacional há ênfase na necessidade de formar o professor-pesquisador. Entretanto, muitas vezes não se discute a trajetória de formação dos professores, as condições de trabalho e de carreira e os recursos financeiros e de infraestrutura necessários para o professor conseguir realizar pesquisas nas escolas. 

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DOI: https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.7198

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