Fé e saber: crítica simpática de Hegel a Jacob na Enciclopédia
DOI:
https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.e202633517Palavras-chave:
Hegel; Jacobi; Fé e Razão; Saber imediato; Dialética especulativa.Resumo
O artigo investiga por que Hegel, nos §§ 61-78 da Enciclopédia das Ciências Filosóficas, ao mesmo tempo em que critica o saber imediato defendido por Jacobi — que separa fé e mediação, esvaziando Deus numa abstração —, reconhece a importância da filosofia da fé jacobiana, mostrando como essa tensão é decisiva para a elaboração dialética de sua própria filosofia. O objetivo é demonstrar como Hegel, ao recusar o caminho imediato de Jacobi, não rejeita o princípio da fé na razão, mas o reinterpreta, propondo em seu lugar uma dialética que supera a unilateralidade tanto da imediatidade quanto da mediação do entendimento. O método consiste em analisar, em quatro etapas, o tratamento hegeliano do tema: (1) as premissas críticas do entendimento e o surgimento do saber imediato; (2) o que Hegel reconhece e critica na fé imediata de Jacobi; (3) a superação da oposição entre saber imediato e mediação por meio da dialética; e (4) a história da decomposição do saber imediato, que revela seus limites subjetivistas e moralistas. Conclui-se que Hegel transforma a fé em razão mediada e autorreflexiva, justificando epistemologicamente a crença na razão e estabelecendo a unidade entre subjetividade e objetividade.
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