Maria Zelma de Araújo Madeira: memórias de formação e resistências da docente universitária negra
DOI:
https://doi.org/10.7213/1981-416X.20.065.DS12Resumo
A pesquisa trata da biografia de Maria Zelma de Araújo Madeira, educadora negra que se inspirou na superação do preconceito racial para fomentar uma educação crítica voltada para a cidadania e justiça social na sua docência universitária. Objetivou-se compreender como uma jovem negra e interiorana, de classe econômica baixa, conseguiu concluir a escolarização, em tempos de mais exclusão educacional, para tornar-se professora universitária e militante feminista negra respeitada no estado do Ceará, Brasil. Desenvolveu-se um estudo do tipo biográfico, pautado nos pressupostos teóricos da história cultural, na perspectiva da história do presente, amparado metodologicamente na história oral, previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em 2018. As entrevistas em história oral foram realizadas com Zelma Madeira – gravadas, transcritas, textualizadas e validadas pela biografada, no segundo semestre de 2019. Os resultados mostram que Zelma Madeira era filha de pai trabalhador da construção civil e mãe costureira, nascida em 1967, na cidade de Aroazes, Piauí, Brasil. Ela conseguiu acesso à educação básica e ao ensino superior ao mudar-se com a família para Fortaleza, Ceará, Brasil, tendo que desenvolver mecanismos de resistência para não se evadir da escola ante o racismo e a exclusão sofridos. Concluiu a graduação em Serviço Social, mestrado e doutorado em Sociologia, iniciando sua atuação como docente no ensino superior em 1997. Constatou-se que ela conseguiu notoriedade no Ceará por sua atuação como pesquisadora das relações de gênero, raça e etnia, pois desenvolveu identidade consoante o feminismo negro, militando na defesa de um projeto societário mais justo e igualitário.
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