ERASMO E LUTERO: O LIVRE ARBÍTRIO DA VONTADE HUMANA

Sidnei Francisco do Nascimento

Resumo


Erasmo de Roterdam e Martinho Lutero discutem acerca da noção de
livre arbítrio da vontade humana. A vontade racional é livre? Ou a
natureza humana não possui autonomia e sua vontade depende única
e exclusivamente da vontade de Deus? A crise religiosa que se instalara
no século XVI nos remete à discussão da reforma da Igreja Oficial de
Roma, e à ruptura com a cultura elaborada pelos primeiros padres da
Igreja no final da Antigüidade. O mundo religioso se refaz por meio de
diálogos e conflitos entre a ortodoxia e os dissidentes. O Humanismo
Cristão e a Reforma, Erasmo e Lutero estão de acordo sobre um ponto:
“O céu não está à venda”. Mas o que parece, à primeira vista, aproximálos,
distancia-os cada vez mais, quando a questão se volta para o
descaso da Reforma quanto à tradição da Igreja. Erasmo retoma a
Filosofia Patrística e aceita, compreendendo ou não, o que a Igreja
elaborou por tantos séculos de cultura religiosa, ao contrário de seu
adversário. Sendo assim, a discussão sobre o livre arbítrio da vontade
conduz, e é ao mesmo tempo conduzida, à cisão do dogma cristão, à
separação entre Filosofia e Teologia e o início da modernidade.


Texto completo:

PDF

Referências


ERASMUS, D. De Libero Abitrio:DIATRIBIs sive Collatio. Leipzig: Georg

Böhme, 1910.

FESTUGIÈRE, O. P. L’idéal religieux des Grecs et l’Évangile. Paris:

Gabalda, 1932.

HALKIN, L. E. Erasme. Paris: Fayard, 1987.

LEKKAS, G. Liberté et progres chez Origène. Bélgica: Brepols, 2001

LUTERO, M. Comentários de Lutero sobre suas Teses Debatidas em

Leipzig. Tradução de Ilson Kayser. Rio Grande do Sul: Sinodal, 1897.

______. Da Vontade Cativa. Tradução de Luís Marcos Sander, Luís Henrique Dreher e Ilson Kayser. Rio Grande do Sul: Sinodal, 1993,

______. O Debate de Heidelberg. Tradução de Walter O. Schlupp. Rio

Grande do Sul: Sinodal, 1987.

______. Debate acerca do homem. Tradução de Johannes Friedrich

Hasenack. Rio Grande do Sul: Sinodal, 1992.

______. Acerca da justificação. Tradução de Luis Henrique Dreher. Rio

Grande do Sul: Sinodal, 1992.

______. Debate sobre a teologia escolástica. Tradução de Walter O.

Schlupp. Rio Grande do Sul: Sinodal, 1987.

MARGOLIN, J. Dictionnaire. Paris: Robert Laffont, 1992.

POPKIN, R. H. Histoire du scepticisme d’Érasme a Spinoza. Paris: PUF. 1979.

SPANNEUT, M. Le Stoicisme des Péres de l’Église. Paris: Du Seuil,




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rfa.v18i23.8600

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.