A imaginação e sua verdade

Francisco Prata Gaspar

Resumo


Ao final da “Fundação do saber teórico”, segunda parte da primeira exposição da doutrina da ciência (1794/5), Fichte afirma: “a imaginação não ilude, mas dá a verdade e a única verdade possível”. Embora essa expressão de “única verdade possível” não apareça mais no decorrer desse texto, ela parece desempenhar um papel fundamental na estruturação da doutrina da ciência, delineando até mesmo o seu ponto de vista, seja em relação à metafísica pré-kantiana, seja em relação ao kantismo. O objetivo do artigo é tentar entender essa noção de “única verdade possível” e qual é a sua íntima relação com a imaginação. Para tanto, será preciso refazer a discussão de fundo que leva a Fichte a estabelecer a imaginação como atividade fundamental do espírito humano e fundamento dessa única verdade possível. Tal discussão se dá como um confronto com o ceticismo de Salomon Maimon, justamente aquele que a partir de uma crítica à filosofia de Kant também diz, assim como Fichte, que a realidade é produzida pela imaginação, mas que encara essa realidade, ao contrário da doutrina da ciência, justamente como uma ilusão. 

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/aurora.27.042.DS10

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