Artefatos biológicos artificiais: do modelo imitativo de inteligência artificial ao advento de organismos vivos programados

Kleber Candiotto

Resumo


O programa de pesquisa em Inteligência Artificial, desde sua origem, tem a inteligência humana como modelo, e sua reprodução (ou superação) como escopo. Com o objetivo de sustentar a necessidade de um novo modelo de investigação sobre inteligência, a presente pesquisa destaca inicialmente o caráter imitativo da IA clássica mediante as críticas de Searle e Dreyfus ao projeto da IA. Procuramos sustentar que uma abordagem mais ampla de inteligência, como a sugerida por Bickhard, que tem comoreferência os sistemas físicos autossustentáveis recursivamente, partindo da investigação do funcionamento de inteligências primitivas, é a perspectiva mais produtiva para a IA. Para isso, apresentamos o advento dos “xenobots”, os organismos vivos programados, como um marco nesta perspectiva de pesquisa em IA que se desprende do modelo imitativo de inteligência, sem desconsiderar a dimensão interacionista dos organismos vivos, para promover uma “inteligência biológica artificializada”.


Palavras-chave


Inteligência Artificial. Modelo Imitativo. Abordagem Interacionista

Texto completo:

PDF

Referências


BICKHARD, M. H. Interactivism. In J. Symons, P. Calvo (Eds.) The Routledge Companion to Philosophy of Psychology. p.346-359. London: Routledg, 2009a.

BICKHARD, M. H. The interactivist model. Synthese, 166(3), p. 547-591, 2009b.

BICKHARD, M.: Part II: Applications of Process-Based Theories: Process and Emergence: Normative Function and Representation. Axiomathes 14(1), p. 121–155, 2004.

BOSTROM, N. Superintelligence: paths, dangers, strategies. New York: Oxford University Press, 2014.

DREYFUS, H. What computers can’t do: a critique of artificial reason. New York: Harper & Row, 1972.

DREYFUS, H. What Computers Still Can`t Do: a critique of artificial reason. Cambridge: MIT Press, 199.

DREYFUS, H. L. Why Heideggerian AI failed and how fixing it would require making it more Heideggerian. In: Artificial Intelligence. [s.l.] Elsevier, 2007. v. 171p. 1137– 1160.

DREYFUS, H. Skillful Coping: Essays on the Phenomenology of Everyday Perception and Action. Oxford University Press, 2014.

FEARN, Nicholas. The latest answers to the oldest questions: a philosophical adventure with the world's greatest thinkers, Grove Press, 2005.

FODOR, J., You Can Fool Some of the People All of the Time, Everything Else Being Equal. "Hedged Laws and Psychological Explanations", Mind, 100, 397, pp. 19-34, 1991.

GARDNER, H. A nova ciência da mente. 3. ed. São Paulo: EDUSP, 2003.

HANDERSON, H. Artificial Intelligence: mirrors for the mind. New York: Chelsea House Publishers, 2007.

KRIEGMAN, S., BLACKISTON, D., LEVIN, M., E BONGARD, J. A scalable pipeline for designing reconfigurable organisms. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). 117 (4) 1853-1859. https://doi.org/10.1073/pnas.1910837117. Janeiro de 2020.

PARK, S. J. et al. Phototactic guidance of a tissue-engineered soft-robotic ray. Science 353, p.158–162, 2016.

SEARLE, J. A redescoberta da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

SEARLE, J. Intencionalidade. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

SEARLE, J. R. Minds, brains, and programs. Behavioral and Brain Sciences, Cambridge, v. n. 3, p. 417-457, 1980.

SEARLE, J. The Chinese Room. The MIT Encyclopedia of the Cognitive Sciences, p. 115-116. Cambridge: MIT Press, 1999.

SHANAHAN, M. The Frame Problem. In: ZALTA, Edward N. (Ed.). The Stanford Ency- clopedia of Philosophy. Spring 2016 ed. [s.l.] https://plato.stanford.edu/archives/spr2016/entries/frame-problem/; Metaphysics Research Lab, Stanford University, 2016.

SILVER, N. The Signal and the Noise: Why Most Predictions Fail – but Some Don't. New York : The Penguin Press, 2012.

SUSSER, Daniel. Artificial Intelligence and the Body: Dreyfus, Bickhard, and the Future of AI. In: MULLER, Vicent. Philosophy and Theory of Artificial Intelligence. Springer, 2013.

TURING, A. M. Computing machinery and intelligence. Mind, Oxford, n. 59, p.433-460, 1950.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/1980-5934.32.055.DS06

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2020 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.