A filosofia e os seus cães: dos cínicos à canalha

Diogo Sardinha

Resumo


Ao longo de sua história, a filosofia se mostrou sobejamente avessa à insolência e à selvajaria. No entanto, quem determina as fronteiras desses espaços, as linhas para lá das quais uma conduta se torna intolerável? Na sua antropologia, típica do século das luzes, Kant critica o que considera ser o caráter selvagem da populaça. Para ilustrar o que pretende dizer, ele recorre à expressão francesa canaille du peuple. Bem mais próximo de nós, Foucault se interessa pela figura antiga do filósofo cínico, que ele apresenta como um insolente à vista dos códigos da cidade, a qual acaba por excluí-lo. Ora, a raiz etimológica de canaille e de cínico é a mesma: o cão. A partir daqui, várias perguntas se insinuam: que relação existe entre a canalha, isto é, os cães do povo; e os cínicos, cães da filosofia? Se o cínico é filósofo, significa que a animalidade é interior à filosofia? As respostas a essas interrogações se tornam mais difíceis quando se compreende que as tensões entre seus elementos são mais complexas do que se julgava

Texto completo:

PDF

Referências


FOUCAULT, M. Le courage de la vérité. Le gouvernement de soi et des autres II. Cours au Collège de France (1983-1984). Editado por F. Gros et al. Paris: Gallimard; Seuil, 2009.

KANT, I. Anthropologie in pragmatischer Hinsicht [1798]. Akademie

Ausgabe. Tradução. de Clélia Aparecida Martins. Antropologia de um ponto de vista pragmático. São Paulo: Iluminuras, 2006. v. 7.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rfa.v23i32.1744

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.