O PROBLEMA DO RISO EM O NOME DA ROSA, DE UMBERTO ECO

Paulo de Góes

Resumo


Umberto Eco, em seu conhecido romance O nome da Rosa, explora a questão referente ao riso, reproduzindo uma velha discussão histórica e filosófica que se reporta ao segundo livro da Poética, de Aristóteles, considerado perdido, no qual o filósofo, ao tratar da comédia, faz uma apologia do riso e suas virtudes. Duas tendências são confrontadas: uma, que tem como representante o velho monge e bibliotecário Jorge de Burgos, que define o riso como fonte de dúvida e defende que ele não deve ser livremente permitido como meio para afrontar a adversidade do dia-a-dia, e outra, representada por Guilherme de Baskerville, fundamentada em Aristóteles e seus comentadores que consideravam o riso como “próprio do homem”, sinal da racionalidade humana. Este artigo tem como objetivo explorar a duas tendências, percorrendo, de modo ligeiro, as páginas do romance, inserindo digressões de ordem histórica e filosófica.

Texto completo:

PDF

Referências


ALBERTI, V. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; FGV, 1999.

APULEIO, L. O asno de ouro. Tradução de Ruth Guimarães. Rio de Janeiro: Ediouro, 1960.

BAKHTIN, M. M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec; Brasília: Ed. da UnB, 1993.

BERGSON, H. O riso: ensaio sobre a significação do cômico. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.

BAKHTIN, M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. Tradução de Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, Brasília: Ed. da UnB, 1993.

CHELINI, J. Histoire religieuse de l’Occident médiéval. Paris: Armand Colin, 1968.

CLEMENT, A. Le pedagogue. Tradução de Marguerite Harl. Paris: Du Cerf, 1960. Livre II, cap. V, p. 99-l05. (Sources chrétiennes, 70).

CURTIUS, E. R. Literatura européia e Idade Média Latina. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1957.

DEMPF, A. Ética de la Edad Media. Madrid: Gredos, 1958.

DUVIGNAUD, J. Le propre de l´homme: histoire du rire e de la dérision. Paris: Hachette, 1985.

ECO, U. Pós-escrito ao Nome da rosa. Tradução de Letizia Zini Antunes e Álvaro Lorencine. Revisão Cléa Márcia Andrade Soares e Edílson Chaves Cantalice Uranga. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 7-10.

______. O nome da rosa. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade. São Paulo: Circulo do Livro, 1989. p. 94-103.

______. Entrevista jornal mexicano. La Jornada Semanal, México, 2 e 9 de enero de 2002, p. 11.

ENOUT, J. E. (Ed.). Benedicti Regula monachorum. Tradução de João Evangelista Enout. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1990. 217 p. Título original: A Regra de São Bento. Latim-português.

DUVIGNAU, J. Le propre de l´homme: histoire du rire e de la dérision. Paris: Hachette, 1985. p. 20-22.

HERWEGEN, I. Sentido e espírito da regra de São Bento. Tradução Monges do Mosteiro de São Bento. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1953.

JEKOVIC , J. Duas ou três coisas que eu sei do humor. Revista de Cultura Vozes, Petrópolis, ano 64, vol. LXIV, n. 3, 1970.

KASSEL, R. Aristotelis de arte poetica líber. New York: Oxford University Press, 1965.

KOLVE, V. A. The play called Corpus Christi. Stanford: Stanford University Press, 1966.

LE GOFF, J. Rire au Moyen Age. Cahiers du Centre de Recherches Historique, Paris, n. 3, p. 1-14, 1989.

______. Jésus a-t-il ri? L´Histoire, n. 158, p. 72-74, 1992.

______. O riso na Idade Média. In: BREMMER, J.; ROODENBURG, H. (Org.). Uma historia cultural do humor. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 63-82.

______. Nicolas Truong: uma história do corpo na Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

MACEDO, J. R. de. Riso ritual, cultos pagãos e moral cristã na Alta Idade Média. Boletim do CPA, Campinas, n. 4, p. 87-110, 1997.

______. Riso, cultura e sociedade na Idade Média. Porto Alegre: Ed. da UFRGS; São Paulo: Ed. da Unesp, 2000.

MAGNO, B. As regras monásticas. Tradução de Hildegardis Pasch e Helena Nagem Assad. Petrópolis: Vozes, 1983.

MENEZES, E. D. B. de. O riso, o cômico e o lúdico. Revista de Cultura Vozes, Petrópolis, v. 68, n. 1, p. 7-21, 1974.

OTTO, R. O sagrado: um estudo do elemento não racional na idéia do divino e sua relação com o racional. Tradução de Prócoro Velasquez Filho. São Bernardo do Campo: Metodista, 1985.

PORFÍRIO. Isagoge. São Paulo: Maltese, 1965. O problema do riso em O nome da rosa, de Umberto Eco Rev.

RABELAIS, F. Gargantua. São Paulo: Hucitec, 1986.

SAINT AUGUSTIN. De catechizandis rudibus. In: ______. Oeuvres de Saint Augustin. Paris: Desclée de Brouwer, 1949. Tome 11, p. 54-80.

SAMÓSATA, L. de. Lúcio ou o asno. Tradução de Custódio Magueijo. Lisboa: Inquérito, 1973.

______. Uma história verídica. Tradução de Custódio Magueijo. Lisboa: Inquérito, 1989.

______. Diálogos dos mortos. Tradução de Maria Celeste Consolin Dezotti. São Paulo: Hucitec, 1996.

______. Hermótimo ou as escolas de filosofia. Tradução de Custódio Magueijo. Lisboa: Inquérito, 1996.

SCHMITT, J-C. Problemas do mito no Ocidente Medieval. Tradução de Denise Maria Cogo. In: DONALD, S.; GOETTEMS, M. B. (Org.). Mito: ontem e hoje. Porto Alegre: EDURGS, 1990.

SKINNER, Q. A arma do riso. Folha de São Paulo, São Paulo, Suplemento Mais!, 04 de agosto de 2002.

VERENA, A. O riso e o risível na história do pensamento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; FGV, 1999.

VOELTZEL, R. Le rire du Seigneur: enquêtes et remarques sur la signification théologique et practique de l´ironie biblique. Strasbourg: Oberlin, 1955.

VOGUE, A. La Règle de saint Benoît. Paris: Cerf, 1972.

YEBRA, V. G. Poetica de Aristotoles. Edición trilingue. Madrid: Gredos, 1974.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/rfa.v21i28.1225

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.