A feminização do magistério no Paraná: anos finais do século XIX
DOI:
https://doi.org/10.7213/1981-416X.25.084.AO06Resumo
O artigo analisa criticamente o currículo de matemática sob a perspectiva da decolonialidade, desafiando a visão hegemônica da matemática como neutra e universal. Utilizando uma metodologia bibliográfica, fundamentada em autores como Quijano (2005), Skovsmose (2014) e D’Ambrósio (1998, 2002), dentre outros, evidencia como a predominância de epistemologias eurocêntricas marginaliza saberes de povos de culturas não ocidentais, perpetuando desigualdades sociais e educacionais. A partir das perspectivas da decolonialidade e da etnomatemática, o artigo propõe a reestruturação do currículo, valorizando saberes locais e tradicionais. Identifica a etnomatemática como alternativa viável, ao reconhecer a matemática como prática cultural e socialmente situada, conectada às realidades dos estudantes e promotora de justiça social. Destaca, ainda, o papel crítico da formação docente para integrar epistemologias diversas e repensar avaliações padronizadas que reforçam exclusões. Como resultados, aponta estratégias pedagógicas que promovem pluralidade epistêmica e inclusão. Conclui que a decolonialidade no currículo transforma o ensino de matemática em espaço de resistência e valorização cultural, contribuindo para a superação de desigualdades educacionais e formação de cidadãos críticos. Assim, a etnomatemática e a educação matemática crítica se consolidam como pressupostos de uma educação decolonial.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Jane Soares. Professoras virtuosas; mães educadas: retratos de mulheres nos tempos da república brasileira (séculos XIX/XX). Revista HISTEDBR On-line, Campinas, v. 11, n. 42, p. 143-156, jun. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.20396/rho.v11i42.8639871. Acesso em: 10 nov. 2022.
ALMEIDA, José Ricardo Pires de. Instrução pública no Brasil (1500-1899): história e legislação. 2. ed. São Paulo: EDUC, 2000.
BRASIL. Constituição Política do Império do Brasil. Constituição Política do Império do Brasil, elaborada por um Conselho de Estado e outorgada pelo Imperador D. Pedro I, em 25.03.1824. Coleção de Leis do Império do Brasil, 1824, v. 1, p. 7 (Publicação Original). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm. Acesso em: 20 mar. 2022.
BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Diário Oficial da União da República dos Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 25 fev. 1891. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm. Acesso em: 20 mar. 2022.
BRASIL. Lei de 15 de outubro de 1827. Manda crear escolas de primeiras letras em todas as cidades, villas e logares mais populosos do Império. Coleção de Leis do Império do Brasil, 1827, v. 1, p. 71, pt. I (Publicação Original). Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-1899/lei-38398-15-outubro-1827-566692-publicacaooriginal-90222-pl.html. Acesso em: 20 mar. 2022.
BRASIL. Lei n. 16 de 12 de agosto de 1834. Faz algumas alterações e adições à Constituição Política do Império, nos termos da Lei de 12 de outubro de 1832. Coleção de Leis do Império do Brasil, 1834, v. 1, p. 15 (Publicação Original). Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leimp/1824-1899/lei-16-12-agosto-1834-532609-publicacaooriginal-14881-pl.html. Acesso em: 20 mar. 2022.
CASTANHA, André Paulo. O processo de feminização do magistério no Brasil do século 19: coeducação ou escolas mistas. História da Educação, Porto Alegre, v. 19, n. 47, p. 197-212, set./dez. 2015. http://dx.doi.org/10.1590/2236-3459/51341.
FARIA FILHO, Luciano Mendes. Instrução elementar no século XIX. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cyntia Greive (org.). 500 anos de educação no Brasil. 3. ed. Minas Gerais: Autêntica, 2016. p. 135-150.
GATI, Hajnalka Halàsz; MONTEIRO, Ivanilde Alves. Educação e docência feminina no Brasil do Século XIX: avanços e desafios. Cadernos de História da Educação, v. 15, n. 3, p. 1146-1169, set.-dez. 2016. DOI:10.14393/che-V15n3-2016-12 . Acesso em 10 nov. 2022.
HAHNER, June Edith. Escolas mistas, escolas normais: a coeducação e a feminização do magistério no século XIX. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. x-x, ago. 2011. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2011000200010. Acesso em: 10 nov. 2022.
LOURO, Guacira Lopes. Mulheres na sala de aula. In: DEL PRIORE, Mary (org.). História das mulheres no Brasil. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2017. p. 443-481.
MATOS, Maria Izilda; BORELLI, Andrea. Espaço feminino no mercado produtivo. In: PINSKY, Carla Bassanezi; PEDRO, Joana Maria (org.). Nova história das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2016. p. 126-147.
MIGUEL, Maria Elisabeth Blanck. O significado da educação pública no Império. In: FARIA FILHO, Luciano Mendes de (org.). Pesquisa em história da educação: perspectiva de análise, objetos e fontes. Minas Gerias: HG Edições, 1999. p. 87-94.
PARANÁ. Acto de 30 de março de 1891. Regulamento da instrucção publica do Estado. Atos 1891. Curitiba: Arquivo Público do Paraná. p. 319-377.
PARANÁ. Decreto n. 02, de 24 de agosto de 1892. Regulamento do ensino popular. Decretos 1892. Curitiba: Arquivo Público do Paraná. p. 293-325.
PARANÁ. Decreto n. 35, de 09 de fevereiro de 1895. Regulamento da instrucção publica do Estado. Decretos e Regulamentos de 1895 -1896. Curitiba: Arquivo Público do Paraná. p. 7-81.
PARANÁ. Decreto n. 93, de 11 de março de 1901. Regulamento da instrucção publica do Estado do Paraná. Decretos e Regulamentos de 1901. Curitiba: Arquivo Público do Paraná. p. 83-158.
PARANÁ. Decreto n. 31, de 29 de janeiro de 1890. Regulamento para a instrucção publica do Estado. Decretos 1890. Curitiba: Arquivo Público do Paraná. p. 37-46.
PARANÁ. Quadro demonstrativo do professorado primário do Estado do Paraná, 1894. Secção de instrucção da Secretaria do Interior do estado do Paraná, 27 de setembro de 1894.
PARANÁ. Relatório apresentado ao Governador do Estado do Paraná pelo Antonio Augusto de Carvalho Chaves, Secretario dos Negócios do Interior, Justiça e Instrucção Publica, 1897. Curitiba: Atelier Novo Mundo.
PARANÁ. Relatório apresentado Secretario do Interior, Justiça e Instrução Publica pelo dr. Victor Ferreira do Amaral e Silva, Director Geral da Instrucção Publica, 1903. Curitiba: Typ d’a Republica.
RABELO, Amanda. Escolas de formação de professores/as no Brasil e em Portugal e a feminização do magistério. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, v. 12, n. 46, p. 24-45, jun. 2012. DOI https://doi.org/10.20396/rho.v12i46.8640070 . Acesso em 10 nov. 2022.
RIBEIRO, Arilda Ines Miranda. Mulheres educadas na colônia. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cyntia Greive (org.). 500 anos de educação no Brasil. 3. ed. Minas Gerais: Autêntica, 2016. p. 78-94.
RIBEIRO, Alexandra Ferreira Martins. Tensões entre o permitido e o conquistado: trajetória de professoras do 2023 setor de educação da Universidade Federal do Paraná (1950-1973). 239 f. Tese (Doutorado em Educação). Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2023.
RITZKAT, Marly Gonçalves Bicalho. Preceptoras alemães no Brasil. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cyntia Greive (org.). 500 anos de educação no Brasil. 3. ed. Minas Gerais: Autêntica, 2016. p. 269-290.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SUCUPIRA, Newton. O Ato Adicional de 1834 e a descentralização da educação. In: FÁVERO, Osmar (org.). A educação nas constituintes brasileiras 1823-1988. São Paulo: Autores Associados, 1996. p. 55-68.
VASCONCELOS, Maria Celi Chaves; FRANCISCO, Ana Cristina Borges López Monteiro. Aias, governantas e preceptoras. Revista FAEEBA, v. 30, n. 63, p. 239-256, 2021. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2021. Acesso em: 10 nov. 2022.
VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. A casa e os seus mestres: a educação no Brasil de Oitocentos. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005.
VILLALTA, Luiz Carlos. O que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura. In: NOVAIS, Fernando A. (coord.); SOUZA, Laura de Mello e (org.). História da vida privada no Brasil, 1: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia de Bolso, 2018. p. 258-303.
WERLE, Flávia Obino Corrêa. Práticas de gestão e feminização do magistério. Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 126, p.609-634, set./dez. 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-15742005000300005. Acesso em: 10 nov. 2022.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Editora Universitária Champagnat

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
O(s) autor(es) transfere(m), por meio de cessão, à EDITORA UNIVERSITÁRIA CHAMPAGNAT, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o n.º 76.659.820/0009-09, estabelecida na Rua Imaculada Conceição, n.º 1155, Prado Velho, CEP 80.215-901, na cidade de Curitiba/PR, os direitos abaixo especificados e se compromete a cumprir o que segue:
- Os autores afirmam que a obra/material é de sua autoria e assumem integral responsabilidade diante de terceiros, quer de natureza moral ou patrimonial, em razão de seu conteúdo, declarando, desde já, que a obra/material a ser entregue é original e não infringe quaisquer direitos de propriedade intelectual de terceiros.
- Os autores concordam em ceder de forma plena, total e definitiva os direitos patrimoniais da obra/material à EDITORA UNIVERSITÁRIA CHAMPAGNAT, a título gratuito e em caráter de exclusividade.
- A CESSIONÁRIA empregará a obra/material da forma como melhor lhe convier, de forma impressa e/ou on line, inclusive no site do periódico da EDITORA UNIVERSITÁRIA CHAMPAGNAT, podendo utilizar, fruir e dispor do mesmo, no todo ou em parte, para:
- Autorizar sua utilização por terceiros, como parte integrante de outras obras.
- Editar, gravar e imprimir, quantas vezes forem necessárias.
- Reproduzir em quantidades que julgar necessária, de forma tangível e intangível.
- Adaptar, modificar, condensar, resumir, reduzir, compilar, ampliar, alterar, mixar com outros conteúdos, incluir imagens, gráficos, objetos digitais, infográficos e hyperlinks, ilustrar, diagramar, fracionar, atualizar e realizar quaisquer outras transformações, sendo necessária a participação ou autorização expressa dos autores.
- Traduzir para qualquer idioma.
- Incluir em fonograma ou produção audiovisual.
- Distribuir.
- Distribuir mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permite ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário.
- Incluir e armazenar em banco de dados, físico, digital ou virtual, inclusive nuvem.
- Comunicar direta e/ou indiretamente ao público.
- Incluir em base de dados, arquivar em formato impresso, armazenar em computador, inclusive em sistema de nuvem, microfilmar e as demais formas de arquivamento do gênero;
- Comercializar, divulgar, veicular, publicar etc.
- Quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas.
- Os autores concordam em conceder a cessão dos direitos da primeira publicação (ineditismo) à revista, licenciada sob a CREATIVE COMMONS ATTRIBUTION LICENSE, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria.
- Os autores autorizam a reprodução e a citação de seu trabalho em repositórios institucionais, página pessoal, trabalhos científicos, dentre outros, desde que a fonte seja citada.
- A presente cessão é válida para todo o território nacional e para o exterior.
- Este termo entra em vigor na data de sua assinatura e é firmado pelas partes em caráter irrevogável e irretratável, obrigando definitivamente as partes e seus sucessores a qualquer título.
- O não aceite do artigo, pela EDITORA UNIVERSITÁRIA CHAMPAGNAT, tornará automaticamente sem efeito a presente declaração.