Biopolítica e direitos humanos: uma relação revisitada guiada pelo cortejo da ajuda humanitária

Daniel Arruda Nascimento

Resumo


Com o escopo de revisitar a relação entre biopolítica e direitos humanos, as linhas que se seguem se dedicam ao diálogo que Giorgio Agamben estabelece com Hannah Arendt. The origens of totalitarianism e The human condition, publicados respectivamente em 1951 e 1958, e Homo sacer: il potere sovrano e la nuda vita e Mezzi senza fine: note sulla politica, publicados em 1995 e 1996, serão as referências mais proeminentes. O diálogo será, todavia, orientado pelo cortejo da ajuda humanitária. Devemos levar a sério as hipóteses do filósofo italiano a esse respeito. Por um lado, o humanitário surge no nosso século purificado de todo comprometimento político, contribuindo para consolidar a compreensão da vida como mera vida, vida biológica, simples fato de ser vivente. Por outro lado, aferrando-se contraditoriamente na visão da “vida nua” como aquela desprovida de direitos, podemos observar que a ajuda humanitária substitui o reconhecimento, a atribuição e a garantia de direitos. A distribuição de cestas básicas e remédios adia sempre mais o gesto de reconhecimento da igualdade, a justa atribuição de direitos e a garantia de oportunidades para o exercício de direitos, levando-nos ao ponto de não mais evitar as suspeitas deque uma secreta solidariedade,celebrada entre os organismos internacionais de ajuda humanitária e as forças que deveriam combater, embala os sonhos contemporâneos.

Texto completo:

PDF

Referências


AGAMBEN, G. L’uomo senza contenuto. Macerata: Quodlibet, 1994.

AGAMBEN, G. Homo sacer: il potere sovrano e la nuda vita. Torino: Einaudi, 1995.

AGAMBEN, G. Mezzi senza fine: note sulla politica. Torino: Bollati Boringhieri, 1996.

AGAMBEN, G. Quel che resta di Auschwitz: l’archivio e il testimone. Torino: Bollati Boringhieri, 1998.

AGAMBEN, G. L’aperto: l’uomo e l’animale. Torino: Bollati Boringhieri, 2002.

AGAMBEN, G. La potenza del pensiero: saggi e conferenze. Vicenza: Neri Pozza, 2010.

ALVES NETO, R. R. Alienações do mundo: uma interpretação da obra de Hannah Arendt. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2009.

ARENDT, H. Origens do totalitarismo. Tradução de Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

ARENDT, H. A condição humana. Tradução de Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

ARENDT, H. Sobre a violência. Tradução de André Duarte. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2011.

DURAND, G. Introdução geral à bioética: história, conceitos e instrumentos. Tradução de Nicolás Nyimi Campanário. São Paulo: Centro Universitário São Camilo; Loyola, 2012.

GIACOIA Jr., O. Sobre direitos humanos na era da biopolítica. Kriterion, v. 49, n. 118, p. 267-308, 2008.

HOBSBAWM, E. Sobre história: ensaios. Tradução de Cid Knipel Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

LAFER, C. A reconstrução dos direitos humanos: a contribuição de Hannah Arendt. Estudos Avançados, v. 11, n. 30, p. 55-65, 1997.

NASCIMENTO, D. A. Do fim da experiência ao fim do jurídico: percurso de Giorgio Agamben. São Paulo: LiberArs, 2012.

RUIZ, C. M. M. B. Os direitos humanos como direitos do outro. In: FERREIRA, L. F. G.; ZENAIDE, M. N. T.; PEQUENO, M. (Org.). Direitos humanos na Educação Superior: subsídios para a educação em direitos humanos na filosofia. João Pessoa: Ed. da UFPB, 2010. p. 189-228.

TELES, E. L. A. Memória e verdade: a ação do passado no presente. In: FERREIRA, L. F. G.; ZENAIDE, M. N. T.; PEQUENO, M. (Org.). Direitos humanos na Educação Superior: subsídios para a educação em direitos humanos na filosofia. João Pessoa: Ed. da UFPB, 2010. p. 285-310.




DOI: https://doi.org/10.7213/aurora.25.037.DS06

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.