O Ressentimento em Nietzsche na Era das Redes Sociais Guiadas por Algoritmos (Nietzsche’s Ressentiment in the Age of Algorithm-driven Social Media)
DOI:
https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.e202633376Palavras-chave:
Nietzsche, Negative affect, Ressentiment, Algorithms, Outrage campaignsResumo
Este artigo enfoca as influências das campanhas de indignação online, que geralmente giram em torno de temas como religião, raça, gênero e sexualidade. Sendo uma das características do clima de antagonismo presente na esfera pública digital contemporânea, essas campanhas são amplamente exacerbadas pelas regras algorítmicas que incentivam a produção de conteúdo provocativo voltado à visibilidade máxima. Um dos conceitos explicativos para essa radicalização da esfera pública online é o ressentimento de Friedrich Nietzsche, introduzido em sua obra Genealogia da Moral — conceito que tem retornado com força ao discurso acadêmico e ao público contemporâneo. Ressentimento significa uma atitude mental que surge quando os impulsos vingativos perdem o contato com seu objeto. Essa atitude caracteriza-se tanto pela impotência em transformar algo na condição de privação do sujeito quanto pela proatividade na criação de valores a partir dessa própria condição. Este artigo buscará, em um primeiro momento, traçar o desenvolvimento do conceito de ressentimento em Nietzsche e seu papel crescente na teoria cultural e política. Propõe-se aqui enxergar o ressentimento não como uma ferramenta diagnóstica aplicada a grupos específicos, mas como um estado que já satura a esfera pública online. Em segundo lugar, será analisado como o ressentimento opera dentro da esfera pública digital movida por algoritmos, utilizando como exemplos diversas campanhas de indignação online. Ao fazê-lo, este trabalho espera contribuir para uma compreensão mais clara de como os afetos negativos funcionam nos espaços digitais, facilitar a construção de identidades e ocultar o verdadeiro descontentamento dos usuários online.
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