Roma (1883) e o nascimento do Übermensch segundo Mazzino Montinari
DOI:
https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.%20e202632719Palavras-chave:
Roma, Übermensch, Escultura, Michelangelo, Homens superioresResumo
Com base em um artigo de Mazzino Montinari, de 1988, “Die spröde Art, Nietzsche zu lesen. Die Niederschrift von ‚Also sprach Zarathustra‘ am Beispiel des Kapitels ‚Auf den glückseligen Inseln '”, analisamos a pertinência da escultura de Michelangelo na elaboração do conceito nietzschiano de Übermensch, durante a sua estadia em Roma, em 1883. Para o proposto, consideramos, primeiramente, como referência, a biografia de Paul Janz sobre Nietzsche, para situarmos, concisamente, os seus passos anteriores à elaboração do propalado conceito, dando ênfase à Roma. Posteriormente, analisamos o supracitado texto de Montinari para avaliarmos o teor de sua hipótese, segundo a qual, o pensamento do grande Michelangelo, que era admirado por Nietzsche, tendo como base a seção 'Nas Ilhas Bem-aventuradas', da segunda parte do Zaratustra. Acompanhamos, em seguida, os rastos da interpretação de Montinari na análise, de Vivetta Vivarelli, em “Der Bildner des Übermenschen und der dithyrambische Künstler: Michelangelo und Wagner in Also sprach Zarathustra”. E, por fim, chegamos à conclusão de que há uma secreta presença de Michelangelo na elaboração do conceito de Übermensch, em Zaratustra, mais especificamente, na seção 'Nas Ilhas Bem-aventuradas', contudo, percebemos que a influência do artista italiano, não se reduz à preparação da propalada ideia, se estendendo ao tema mais geral dos homens superiores e seus similares, o que, consequentemente, amplia a recepção de Nietzsche de outras matizes para pensar tal questão; e, ainda chegamos à seguinte conclusão que a capital italiana não foi o solo fértil do qual essas ideias de Nietzsche brotaram, mas antes a Itália, em uma amplitude maior, que remete à época do Renascimento.
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