Nietzsche, Feyerabend e Foucault: um diálogo sobre o eclipse da ciência na política atual

Fernando Luiz Zanetti, Karol Natasha Lourenço Castanheira

Resumo


Este estudo toma a ciência como um espaço atravessado por forças que a constituem a partir de múltiplos jogos de interesses. Em seguimento a tal contexto visa-se entender como a ciência institucionalizada como princípio dominante do saber na idade moderna perde potência na contemporaneidade. Tal reflexão apoia-se nas formulações de Nietzsche/Deleuze, Feyerabend e Foucault. Considera-se, ao final, que os jogos de verdadeiro e falso e a retirada do teor valorativo — de atividade ou reatividade, nobreza ou vileza — das práticas científicas criaram um solo propício para o fortalecimento da verdade relativa, da ficção e da moral. Contudo, em momentos de crises, como as de emergência sanitária, recorre-se ao saber científico como tábua de salvação.


Palavras-chave


Ciência. Dispositivo. Poder. Vigilância Sanitária.

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DOI: https://doi.org/10.7213/1980-5934.33.060.DS08

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