É possível filosofar com Heidegger após as confissões nos Cadernos Pretos?

Luiz Rohden, Marcos André Webber

Resumo


Neste artigo proporemos uma resposta à pergunta se é possível filosofar com Heidegger após as confissões nos Cadernos Pretos relativas ao seu comprometimento, parcial, com o nazismo e o antissemitismo. Para além da alternativa que aborda a obra de Heidegger, ignorando ou minimizando seu compromisso político, ou daquela que a descarta em razão do seu vínculo com nazismo, justificaremos que sua proposta filosófica é válida e profícua, mesmo após a publicação dos Cadernos Pretos. Sob a égide da hermenêutica gadameriana, inicialmente apresentaremos a posição de Heidegger por ele descrita nos Cadernos Pretos; a seguir, explicitaremos alguns aspectos do antissemitismo heideggeriano em relação ao partido nacional-socialista; para, ao final, fundamentarmos que a proposta filosófica de Heidegger, veiculada em sua obra, não deveria ser descartada em razão do seu equívoco político, uma vez que o texto escrito passa a ter vida própria e se torna independente do seu criador, cabendo aos leitores interpretá-lo de forma crítica, honesta e responsável.

Palavras-chave


Heidegger, Cadernos Pretos, Gadamer, Hermenêutica filosófica, Diálogo.

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DOI: https://doi.org/10.7213/1980-5934.32.056.AO06

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