História e percepção: notas sobre arquitetura e fenomenologia

Davide Scarso

Resumo


A arquitetura fenomenológica não possui talvez a solidez e a homogeneidade de uma escola ou de um movimento em sentido estrito, mas representa, no entanto, um vetor notável do pensamento arquitetônico contemporâneo. Juntamente com as obras de Heidegger, as obras de Merleau-Ponty são utilizadas com frequência por aqueles que se reconhecem como representantes de uma arquitetura de inspiração fenomenológica. Neste artigo será analisado o papel que o pensamento de Merleau-Ponty desenrola nas obras e no pensamento de Juhani Pallasmaa e Steven Holl, autores que se destacam pela força de seus trabalhos e pela determinação de suas posições teóricas. Particular atenção se prestará à dupla oposição que caracteriza a arquitetura fenomenológica, que se distancia com igual firmeza tanto do modernismo como do pós-modernismo. Estes autores, na reivindicação da primazia do corpo vivido e da experiência perceptiva, consideram ter encontrado um “antídoto” à ossificação produzida pela racionalidade moderna, com seus espaços funcionais e inabitáveis, como também à celebração da autorreferencialidade de um certo pós-modernismo, com seus edifícios destinados essencialmente a serem contemplados pelos apreciadores. A partir dessa dupla oposição, a arquitetura fenomenológica parece procurar um plano mais sólido numa forte acentuação da positividade da experiência corpórea e perceptiva, quando Merleau-Ponty parece empenhado, pelo contrário, em uma progressiva revisão destes aspetos.


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/1980-5934.28.045.AO03

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