Macunaíma como expressão arquetípica do cidadão brasileiro: uma análise sob a perspectiva junguiana e a interpretação libertária do Direito e Literatura

Paula Santos Sanson

Resumo


Pretende-se identificar o cidadão brasileiro com Macunaíma, o herói de nossa gente, sob a perspectiva do inconsciente coletivo e do arquétipo de herói, definidos por Carl Gustav Jung. A compreensão do cidadão a partir do aspecto arquetípico, nos leva a entender a perda de identidade individual e coletiva brasileira, que frequentemente se espelha nas imagens, tradições e culturas estrangeiras, em detrimento das simbologias locais. Utilizando-se da pesquisa de revisão bibliográfica, na modalidade narrativa, e do método dialógico, o que ficará em evidência, no decorrer do artigo, é que o arquétipo do herói corresponde à evolução da personalidade humana, e é esta a disfuncionalidade apresentada pela personalidade do brasileiro. O Brasil possui, como mito de origem e correspondente arquetípico, Macunaíma, personagem criado por Mario de Andrade: Macunaíma, ao mesmo tempo que representa a verdadeira ancestralidade brasileira, revela a negação do próprio ser humano com relação a sua origem, o que justifica a construção desse herói sombrio e enigmático presente em cada indivíduo. Neste contexto, o Direito, âmbito jurídico que normativa as relações sociais e institucionais, e que representa juridicamente a voz da sociedade, é essencial para o resgaste e consequentemente para a liberdade deste herói enrustido em todos nós, cidadãos; essencial para a expressividade de um povo eminentemente brasileiro. Para tanto, sugere-se novos meios interpretativos dessa ciência, reconhecendo-se a Literatura como crítica ao Direito, a fim de que haja a releitura do ser cidadão no Brasil.


Palavras-chave


Macunaíma, arquétipo, inconsciente coletivo, Direito, Literatura

Texto completo:

PDF

Referências


Andrade, M. (2017). Macunaíma. Barueri, SP: Novo Século Editora. (Original publicado em 1928).

Araújo, C.L.S. (2010). A alma ameríndia: uma leitura junguiana do mito makunaima. (Dissertação de Mestrado, Programa de Mestrado em Estudos Literários, Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais). Recuperado de https://www.ufjf.br/darandina/files/2010/12/A-alma-amer%c3%adndia-uma-leitura-junguiana-do-mito-makunaima1.pdf.

Bittar, E. C.B. (2016). Metodologia da pesquisa jurídica: Teoria e prática da monografia para os cursos de Direito. São Paulo, SP: Saraiva.

Campbell, J. & Moyers, B. (1990). O Poder do Mito, com Bill Moyers; org. por Betty Sue Flowers. (C. F. Moisés, Trad.). São Paulo, SP: Palas Athena. (Original publicado em 1988).

Carvalho, F. A. (2012). Makunaima: um herói a serviço da ordem social. Revista de Crítica Literária LatinoAmericana, ‘(75), 397-417. Recuperado de https://as.tufts.edu/romancestudies/rcll/pdfs/75/397-417-ADD-p-418-Almeida.pdf.

Carvalho, Y. M. (2020). Do velho ao novo: a revisão de literatura como método de fazer ciência. Revista Thema, 16(4), 913-928. doi: https://doi.org/10.15536/thema.V16.2019.913-928.1328.

Dworkin, R. (1999). O império do Direito. (J.L. Camargo, Trad.). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Original publicado em 1986).

Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. (2020). Mário de Andrade. São Paulo: Itaú Cultural.

Galvão M. C. B. & Ricarte I. L. M. (2019). Revisão Sistemática da Literatura: Conceituação, produção e publicação. Logeion: Filosofia Da Informação, 6(1), 57-73. doi: https://doi.org/10.21728/logeion.2019v6n1.p57-73.

Escola de Diálogo de São Paulo. (1996). A alma ancestral do Brasil. Recuperado de http://escoladedialogo.com.br/escoladedialogo/index.php/biblioteca/artigos/a-alma-ancestral-do-brasil/

Godoy, A. S. M. (2008). Direito & Literatura: ensaio de síntese teórica. Porto Alegre, RS: Livraria do Advogado.

Jung, C. G. (2000). Os arquétipos e o inconsciente coletivo. (M. L. Appy, D. M. R. Ferreira da Silva, Trad.). Petrópolis, RJ: Vozes. (Original publicado em 1959).

Jung, C. G., Von Franz. M-L., Henderson, J. L., Jacobi, J. & Jaffé, A. (2001). O Homem e seus Símbolos. Concepção e organização de Carl G. Jung. (M. L. Pinho, Trad). Rio de Janeiro, RJ: Nova Fronteira. (Original publicado em 1964).

Karam, H. (2017). Questões teóricas e metodológicas do direito na literatura: um percurso analítico-interpretativo a partir do conto Suje-se gordo!, de Machado de Assis. Revista Direito GV, 13(3), 827-865. doi: https://doi.org/10.1590/2317-6172201733.

Marinho, M. (2002). Cultura, Identidade e Desenvolvimento Local: conceitos e perspectivas para regiões em desenvolvimento. Interações, 3(4), 35-42. doi: https://doi.org/10.20435/interacoes.v3i4.575.

Martins, L. M. (2004). A natureza histórico-social da personalidade. 24 (62), 82-99. doi: https://doi.org/10.1590/S0101-32622004000100006.

Mibielli, R., Campos, S. P. P. & Jobim, J. L. (2019). Jaider Esbell, Makunaima/Macunaíma e a arte/literatura indígena. Revista Brasileira de Literatura Comparada. Recuperado de http://revista.abralic.org.br/index.php/revista/article/view/545/736.

Sanches, A. L. N. (2011). Diálogos entre a Psicologia e o Direito. In M. C. N. de Carvalho, T. Fontoura, & V. R. Miranda (Orgs), Psicologia Jurídica. Temas de Aplicação II, (pp. 17-30). Curitiba, PR: Juruá.

Telis, R. F. (2016). Raízes do Brasil e Macunaíma: Narrativas e ressonâncias em torno da identidade nacional. (Tese de Pós-Graduação, Programa de Pós-Graduação em Letras, Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, Espírito Santo). Recuperado de http://portais4.ufes.br/posgrad/teses/tese_10197_tese%20doutorado%20Letras%20R%E9gis.pdf.

Vieira, A.G. (2006). A função da história e da cultura na obra de C. G. Jung. Aletheia, (23), 89-100. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942006000200010.

Vrbata. A. (2016). Memória ancestral e o Brasil contemporâneo – Tradição Junguiana e o inconsciente brasileiro. Légua & Meia: Revista de Literatura e Diversidade Cultural, (7)1, 156-172. doi: http://dx.doi.org/10.13102/lm.v7i1.2615.

Holanda, S. B. (2014). Raízes do Brasil. São Paulo, SP: Companhia das Letras.




DOI: https://doi.org/10.7213/psicolargum39.106.AO07

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2021 Editora Universitária Champagnat