A preferência de Yahweh foi pelos detentores do poder (Esd 9-10) ou pelos humilhados (Rute)?: uma glosa que quis mudar tudo (Rt 4,17d-22)

Joel Antônio Ferreira

Resumo


Nas poucas vezes em que apareceu o “ham ha’aretz” (povo da terra) em Esdras, houve uma autodenúncia dos elaboradores da redação final: eles desprezaram os estrangeiros, as mulheres e seus filhinhos. Os israelitas/hebreus que não foram exilados, por quase cem anos, conviveram com estrangeiros e tiveram abertura de gênero para os povos dos arredores. Com o apoio financeiro e político da Pérsia (Esd 7,18-25), os repatriados (Golah) deram o “golpe” no ham ha’aretz. Chegaram com o projeto de reconstruir o Templo, de redefinir a religião baseada na “pureza” e reelaborar as diretrizes para o novo povo, agora chamado de povo “judeu”. O/a leitor/a atento, hoje, tem lido esses vários textos com “suspeição” e, nessa desconfiança tem procurado a voz dos silenciados, a vez dos desaparecidos do sistema e o “espaço” conseguido pelos pobres e marginalizados. O livro de Rute será lido em total contraposição a Esdras (Esd 9-10). Com essa leitura se aprofundará o encontro com Yahweh, o Deus que está do lado dos pobres e desprezados. É preciso olhar, ainda, com suspeição a glosa em Rute (Rt 4,17d-22): acréscimo do poder para manipular todo o texto e toda a história libertadora.

Palavras-chave


Rute;Esdras 9-10;povo da terra;repatriados

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/2175-1838.12.002.AO03

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