Avaliação da urinálise, urocultura e antibiograma de gatos com suspeita de infecção do trato urinário
DOI:
https://doi.org/10.7213/acad.2025.23008Resumo
As infecções do trato urinário (ITU) em felinos representam um desafio diagnóstico na prática clínica, especialmente por apresentarem os mesmos sinais clínicos da doença do trato urinário inferior felino. Este estudo teve como objetivo analisar os achados da urinálise, urocultura e antibiograma de gatos com suspeita de ITU, visando compreender o perfil microbiológico e a sensibilidade bacteriana frente aos antimicrobianos testados. Foram analisadas 86 amostras de urina de gatos com sinais clínicos compatíveis com ITU. Os dados avaliados incluíram sexo, presença ou não de leucocitúria, hematúria, proteinúria e pH urinário, resultado da urocultura e perfil de suscetibilidade antimicrobiana. A idade média dos indivíduos foi de 8,7 anos, com predomínio de fêmeas. Na urinálise, observou-se leucocitúria em 86,05% dos casos, hematúria em 66,28% e proteinúria em 73,26%. Quanto ao pH, 43,2% das amostras apresentaram valores abaixo da faixa de referência do laboratório (5,0 a 7,0). A urocultura foi positiva em 24,42% dos casos, sendo Escherichia coli a bactéria mais frequente (71,43%), seguida por Enterococcus faecalis, Proteus mirabilis, Staphylococcus pseudointermedius e Enterococcus spp. E. coli apresentou resistência à ampicilina e amoxicilina em 40% das amostras. E. faecalis exibiu um padrão de sensibilidade variado, mas com 100% de sensibilidade à ciprofloxacina e ao sulfatrimetropim. Os achados reforçam que a urinálise, embora essencial, não deve ser utilizada isoladamente para o diagnóstico de ITU. A baixa frequência de culturas positivas, aliada à diversidade de perfis de resistência, evidencia a importância da confirmação microbiológica e da avaliação da sensibilidade aos antimicrobianos, que é fundamental para o sucesso terapêutico, uso responsável de antibióticos e combate à resistência bacteriana.