Um estudo análogo ao forense em contexto brasileiro com o Protocolo de Entrevista Investigativa NICHD

Chayene Hackbarth, José Carlos Fogo, Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams

Resumo


O abuso sexual infantil é um problema de saúde pública, envolvendo questões sociais, jurídicas, médicas, educacionais e psicológicas. O presente estudo testou a aplicabilidade do Protocolo NICHD para a investigação de casos com suspeita de abuso sexual infantil. Trata-se de um estudo análogo ao forense e inédito no Brasil que tem como objetivos; 1) avaliar a acurácia das informações fornecidas pelas crianças, comparando-se entrevistas realizadas com um grupo de crianças que receberam o treino prévio da fase pré-substantiva do protocolo NICHD  (GPS) a um grupo sem o treino da fase pré-substantiva (GC); e 2) verificar a proporção com que crianças nessas duas condições relataram, ter participado de um evento fictício.  Foram entrevistadas 108 crianças (51 meninos e 57 meninas) em quatro escolas públicas do Estado de Mato Grosso a respeito de um evento encenado pelos pesquisadores. As informações foram tabuladas e codificadas para comparação com o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis e teste U de Mann-Whitney. Os resultados indicaram que a quantidade de perguntas para o GC foi significativamente maior do que para o GPS, denotando que devido à inexperiência dos entrevistadores e tempo curto de treinamento, não houve investimento suficiente na fase pré-substantiva, conforme recomendado. Contudo, os relatos incorretos a respeito do evento fictício foram significativamente mais frequentes no GC, sugerindo que o treino para a construção do rapport tenha sido eficaz para o preparo das crianças em resistir às perguntas sugestivas, corroborando a literatura sobre a habilidade de crianças em diferenciar verdades de mentiras.


Palavras-chave


Termo 1: Abuso sexual infantil; Termo 2: Oitiva de crianças; Termo 3: Protocolo NICHD

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DOI: https://doi.org/10.7213/psicolargum39.105.AO07

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