Deus é liberdade: tópicos de teologia fundamental de inspiração místico-ontológica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7213/2175-1838.18.e2633134

Palavras-chave:

Deus é liberdade, Teologia fundamental, Mística, Ontologia da doação, Trindade.

Resumo

Partindo da tese de que “Deus é liberdade”, este artigo desenvolve uma teologia fundamental de cunho místico-especulativo, em diálogo com a ontologia heideggeriana da transcendência e a mística trinitária de Mestre Eckhart. Argumenta-se que a liberdade, mais do que faculdade subjetiva, é estrutura ontológica de doação: êxtase que funda o ser, a Trindade e a relação. Por meio do método da hermenêutica filosófico-teológica, conceitos como Gelassenheit, desapropriação e bullitio são reinterpretados como expressões de uma metafísica do dom. O texto propõe uma teologia do êxtase, em que Deus se revela como acontecimento de autodoação e o humano, como imagem dessa liberdade receptiva. Num tempo marcado pelo colapso de modelos substancialistas, a proposta aqui ensaiada busca pensar Deus a partir de sua manifestação como dom silencioso, convertendo o pensamento em escuta e a teologia em itinerário espiritual.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Fernando Rodrigues, Instituto Federal de São Paulo

Licenciado em Filosofia  (UEL, 2004), Mestre em Filosofia (UFPR, 2007) e Doutor em Filosofia (Unicamp/Albert-Ludwigs Universität Freiburg, Alemanha, 2014). Pós-Doutorado em Filosofia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, 2021). Especialista em Psicopatologia Fenomenológica na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2020). Docente do quadro efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP desde 2014.

Referências

BALTHASAR, Hans Urs von. Gloria: uma estética teológica. I: a percepção da forma. São Paulo: Paulus, 2011.

CAPUTO, John D. Meister Eckhart, and the later Heidegger: a mystical ontology of event. Journal of the American Academy of Religion, v. 54, n. 3, p. 487–511, 1986. https://doi.org/10.1353/hph.2008.0318.

CASTAÑEDA VARGAS, José. Ser y don: Eckhart y Heidegger. POLISEMIA, n. 7, p. 51–66, ene./jun. 2009. https://share.google/rLR2v3ha5qqBxOzcz

CHRÉTIEN, Jean-Louis. L’arche de la parole. Paris: Éditions de Minuit, 1998.

CHRÉTIEN, Jean-Louis. L’hospitalité du Nom. Paris: Éditions de Minuit, 2002.

ECKHART, Meister. Teacher and preacher. Trad. e ed. Bernard McGinn. Nova York: Paulist Press, 1986.

ECKHART, Mestre. Sermões alemães. Tradução e introdução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2024.

FLASCH, Kurt. Meister Eckhart: Philosoph des Christentums. 3. ed. München: C. H. Beck, 2010.

GERARDO, Roberto. Eckhart y Heidegger: diálogo en la búsqueda de lo sagrado. Revista Síntesis, n. 32, p. 87–108, 2018. https://doi.org/10.11144/Javeriana.uph40-81.ehds

GUNTON, Colin E. The one, the three and the many: God, creation, and the culture of modernity. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

HEIDEGGER, Martin. Einleitung in die Philosophie (Gesamtausgabe, Bd. 27). Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1996.

HEIDEGGER, Martin. Gelassenheit. Pfullingen: Günther Neske Verlag, 1959.

HEIDEGGER, Martin. Grundbegriffe der Metaphysik (Gesamtausgabe, Bd. 29/30). Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1983.

HEIDEGGER, Martin. Metaphysische Anfangsgründe der Logik im Ausgang von Leibniz (Gesamtausgabe, Bd. 26). Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1978.

HEIDEGGER, Martin. Reden und andere Zeugnisse eines Lebensweges (Gesamtausgabe, Bd. 16). Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 2000.

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Edição bilíngue alemão-português. Trad., org. e notas de Fausto Castilho. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2012.

HEIDEGGER, Martin. Wegmarken (Gesamtausgabe, Bd. 9. Veröffentlichte Schriften 1914–1970). Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1979.

HUNT, Anne. The trinity: insights from the mystics. Collegeville: Liturgical Press, 2010.

JÜNGEL, Eberhard. God’s being is in becoming. The trinitarian being of God in the theology of Karl Barth. Trad. John Webster. Edinburgh: T&T Clark, 2001.

LOSSKY, Vladimir. Teologia mística da igreja do oriente. São Paulo: Paulinas, 1991.

MARION, Jean-Luc. Dieu sans l’être. Paris: Fayard, 1982.

McGINN, Bernard. The mystical thought of Meister Eckhart: the man from whom God hid nothing. Nova York: Crossroad, 2001.

MORAN, Dermot. ‘Let it Be’: Heidegger and Eckhart on Gelassenheit. In: FERRARELLO, Susi; HADJIOANNOU, Christos (org.). The Routledge handbook of phenomenology of mindfulness. Nova York: Routledge, 2024. p. 231–251.

SÁNCHEZ, André Quero. El hombre, propiedad de la libertad en Eckhart. Estudios Eclesiásticos, v. 89, n. 350, p. 445–469, 2014. https://share.google/eiTDRdrTwLytGvmAk

SCHÜRMANN, Reiner. Le Dieu inconnu. Trad. Vincent Blanchet. Les Études Philosophiques, n. 4, p. 125–132, 2022. DOI:10.3917/leph.224.0127

STRUMMIELLO, Giusi. Got(t)heit – a deidade em Eckhart e Heidegger. Veritas, v. 47, n. 3, p. 347–364, 2002. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2002.3.34882

TILLICH, Paul. Systematic Theology. Volume I: Reason and Revelation, Being and God. Chicago: The University of Chicago Press, 1951.

VITIELLO, Vincenzo. «Abgeschiedenheit», «Gelassenheit», «Angst». Tra Eckhart e Heidegger. Quaestio, v. 1, n. 1, p. 305–316, 2001. https://doi.org/10.1484/J.QUAESTIO.2.300645.

Downloads

Publicado

2026-04-15

Como Citar

Rodrigues, F. (2026). Deus é liberdade: tópicos de teologia fundamental de inspiração místico-ontológica. Revista Pistis & Praxis, 18, e2633134. https://doi.org/10.7213/2175-1838.18.e2633134

Edição

Seção

Artigos