Bioética, nova cultura somática e sensibilidade: o cuidado do profissional da Saúde

Nilo Ribeiro Junior, Débora Vieira de Almeida

Resumo


A Bioética, como ciência da vida, apresenta, em sua essência, a preocupação pela humanização da humanidade que acontece especialmente no corpo e na carne humanas. Graças aos avanços da Biologia, da Técnica e da Informática, que propõem novas formas de corpos, emerge uma nova cultura somática. Como esta tem a tendência de privilegiar a saúde como bem-estar do corpo biológico, delineia-se uma bioética preocupada em restituir o sentido da carnalidade humana, partindo da sensibilidade como categoria ético-filosófica central. Portanto, o objetivo deste ensaio é mostrar o impacto da categoria da Sensibilidade no repensamento da Ética do cuidado do profissional da Saúde no contexto da nova cultura somática contemporânea. O cuidado da pessoa enferma revelase como o cerne das atividades dos profissionais da saúde em razão da humanização do corpo do outro enquanto corpo de carne, enfatizando a centralidade da sensibilidade e carnalidade humanas. Isso conduz a um reposicionamento da compreensão do agir do profissional de saúde pautado em uma ética do cuidado em que o rosto evoca o corpo enquanto carnalidade. Dessa forma, o rosto enfermo não se reduz à enfermidade, mas suplica que seja cuidado de acordo com a sua singularidade e vulnerabilidade, convidando o profissional da Saúde a se preocupar com o outro em sua absoluta unicidade, o que transcende a visão reducionista do corpo e da saúde praticados pela nova cultura somática.


Palavras-chave


Bioética; Corporeidade; Alteridade; Ética do cuidado; Humanização; Profissionais da Saúde.

Texto completo:

PDF

Referências


DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

EHRENBERG, A. L’individu incertain. Paris: Hachette Littératures, 1995.

FREIRE, J. O vestígio e a aura. Corpo e consumismo na moral do espetáculo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.

GIDDENS, A. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991.

GUILLEBAUD, J. C. Le gôut de l’avenir. Paris: Seuil, 2003.

LACROIX, X. Le corps et L´Esprit. Paris: Vie Chrétienne, 2005.

LACROIX, X. O corpo de carne: as dimensões ética, estética e espiritual do amor. São Paulo: Loyola, 2009.

LE BRETON, D. Adeus ao corpo. Campinas: Papirus, 2003.

LÉVINAS, E. Humanismo do outro homem. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1993.

LÉVINAS, E. Entre nós. Ensaios sobre a alteridade. Petrópolis: Vozes, 1997a.

LÉVINAS, E. A filosofia e a idéia de infinito. In: LÉVINAS, E. Descobrindo a existência com Husserl e Heidegger. Lisboa: Instituto Piaget, 1997b. p. 201-216.

LÉVINAS, E. Linguagem e proximidade. In: LÉVINAS, E. Descobrindo a existência com Husserl e Heidegger. Lisboa: Instituto Piaget, 1997c. p. 265-288.

LÉVINAS, E. O vestígio do outro. In: LÉVINAS, E. Descobrindo a existência com Husserl e Heidegger. Lisboa: Instituto Piaget; 1997d. p. 227-245.

LÉVINAS, E. De otro modo que ser o más allá de la esencia. 4. ed. Salamanca: Ediciones Sígueme, 2003.

LÉVINAS, E. O tempo e o outro. Revista Phainomenon, n. 11, p. 149-190, 2005. LÉVINAS, E. Totalidade e infinito. 3. ed. Lisboa: Edições 70, 2008.

LIPOVETSKY, G. A felicidade paradoxal. Ensaio sobre a sociedade de hiperconsumismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

PIERRE, L. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2005.

PIERRE, L. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da inteligência. São Paulo: Editora 34, 2006.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/revistapistispraxis.7673

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.