Religião e educação, um diálogo emergente: do teórico ao prático para constituição de uma área de conhecimento [I]

Eulálio Avelino Pereira Figueira

Resumo


Este artigo tem por objeto o Ensino Religioso na sala de aula, visto como disciplina curricular, e apresenta o que podem ser observados como elementos constituintes para uma epistemologia que subsidie uma área de conhecimento de forma a abordar o fenômeno religioso em chave pedagógica. Tivemos a preocupação de tratar da Religião enquanto processo de educação que se coloca além do debate de domínio confessional. Assumimos que será por uma postura pedagógica que a religião, uma das atividades definidoras do homem contemporâneo, deverá ser abordada para assim chegarmos ao entendimento sobre boa parte dos dados constituintes das relações humanas produzidas na pluralidade das sociedades contemporâneas, marcadas pela peculiaridade da laicidade e de seu contexto originário, definido como secularização. Para atendermos a este desafio e proposta adotamos a postura crítica/ pragmática subsidiada pelo pensamento de Richard Rorty e articulada à proposta de uma Teologia Pública pós-metafísica. A atividade do educar, mais do que assumir a transmissão e informação sobre conteúdos, precisa tratar dos diversos e plurais lugares, como também das linguagens de produção e desenvolvimento desse conhecimento que identifica a peculiaridade da existência humana. Diante da necessidade pragmática e até muitas vezes de um sentido fortemente utilitarista, a emergência de uma visão simbólica, e por que não se dizer mistérica das capacidades e habilidades que devem estar presentes nas ações humanas para enfrentar o mundo com o qual somos confrontados, é matéria que não fica fora de suas preocupações. Mas deve a educação se constituir de “ferramentas” apropriadas para poder desempenhar com satisfação essa tarefa.


Palavras-chave


Religião; Ensino Religioso; Secularização.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/revistapistispraxis.06.002.ds04

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