Espiritualidade e política: considerações sob um ponto de vista filosófico

Edelcio Ottaviani

Resumo


O texto, partindo da realidade brasileira, reflete sobre a necessidade de uma reforma política para inibir as práticas de corrupção que esgarçam sensivelmente o tecido social e fazem tanto mal aos mais pobres. Mostra que essa reforma não alcançará seu objetivo se parte considerável da sociedade que a postula não passar por uma séria conversão. Nisto encontra-se o campo da espiritualidade. Hannah Arendt, Fábio Konder Comparato e Michel Foucault são os referenciais teóricos para pensar a constituição ética do sujeito em tempos sombrios. A salvaguarda do espaço público, em que estão em jogo palavras e ações, nos faz perceber que, no jogo agonístico da política, “quem não tem governo de si não pode querer governar os outros”.


Palavras-chave


Espiritualidade; Política; Governo de si; Governo dos outros.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/revistapistispraxis.07.002.ao04

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