Graça, fé e caridade: notas sobre o livre-arbítrio e a salvação no pensamento jesuítico

Ludmila Gomides Freitas

Resumo


A Reforma Católica ratificou que, não obstante o papel imprescindível da graça divina, o valor moral do livre-arbítrio e, portanto, das ações humanas eram também determinantes para a salvação das almas. Neste artigo, pretendemos discutir os desdobramentos dessa questão no pensamento jesuítico. Para isso, iremos explorar, primeiramente, os escritos fundadores da ordem — os Exercícios Espirituais e as Constituições — no que concerne à soteriologia proposta por Santo Inácio de Loyola. Veremos que sua concepção de salvação estava relacionada ao entendimento filosófico pré-conciliar e escolástico a respeito do lugar ontológico do gênero humano na ordem da Criação. Em seguida, apresentaremos as contribuições teológicas propostas pelo jesuíta Luis de Molina, cuja teoria — ao propor a distinção entre graça suficiente e graça eficiente — logrou conciliar o papel da Providência divina e a importância do livre-arbítrio no concurso da salvação. Enfim, nossa intenção é demonstrar que essa concepção da remissão ajudou a compor o ethos jesuítico, visto que a ordem representava um modelo de espiritualidade e de ação que se projetava no mundo: herdeira da vocação apostólica num momento em que as fronteiras do mundo conhecido se dilatava; ir pregar aos novos gentios era a missio colocada aos jesuítas. As boas obras — notadamente as obras missionárias espalhadas por todo o Orbe — cumpririam uma função salvífica em coautoria com a Providência, pois, ajudando os homens a ingressarem no grêmio da Igreja, os jesuítas estariam contribuindo para a realização do reino de Deus.


Palavras-chave


Livre-arbítrio; Pensamento jesuítico; Salvação; Graça.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/revistapistispraxis.07.002.ao03

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