Reforma Protestante, 500 anos: ensaio de crítica histórica

Ronaldo Cavalcante

Resumo


Após a Reforma do século XVI, o fenômeno religioso protestante começou a se formar e estava diretamente conectado com a cultura circundante. Nessa formação, buscou primeiramente pautar sua identidade de forma apologética em contraposição ao catolicismo por meio de diatribes, catecismos, declarações e confissões de fé. A luta doutrinária se mesclava com as estratégias políticas com enormes repercussões também na economia e no cotidiano da vida pública e privada. Após a primeira geração, já no século XVII, surgiriam outros desafios e objetivos que ajudaram a forjar um estilo próprio de se vivenciar o cristianismo em diálogo com os novos tempos. A modernidade demandou novos posicionamentos religiosos e éticos. Juntamente com setores progressistas do catolicismo e da sociedade em geral, o ethos protestante participou na fixação de valores que resultaram em conquistas importantes para a gênese das sociedades modernas. As novas possibilidades da teologia protestante, que agora se abria ao diálogo com o mundo das letras e da ciência, produziu um enorme contingente de novos personagens em diversas áreas do conhecimento que foram fundamentais em questões como a nova educação, a superação da escravidão, melhora das condições laborais, ecumenismo etc. O protestantismo, não obstante seus muitos equívocos, tornou-se uma alternativa legítima dentro do cristianismo.


Palavras-chave


Reforma; Protestantismo; Modernidade; Ecumenismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.7213/2175-1838.09.002.DS04

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