ANTERIOR AO CONCEITO DE PESSOA: dignidade do embrião como ser humano

Mario Antonio Sanches, Leide da Conceição Sanches

Resumo


Em bioética vivencia-se atualmente um debate curioso ao redor do reconhecimento da dignidade do embrião. Alguns, em nome do conceito de pessoa, defendem a dignidade do embrião afirmando que todo ser humano é pessoa e merece ser tratado como tal. Outros, baseados no mesmo conceito, fazem o contrário, introduzindo uma separação entre ser humano e ser pessoa: defendem a dignidade da pessoa, mas negam que todo ser humano possa ser considerado pessoa. Para se pensar uma bioética global, é preciso construir uma reflexão que defenda a dignidade de todo ser humano, consciente de que se está lidando com uma diversidade de antropologias, base da diversidade cultural. Os autores deste artigo defendem, com outros autores, que o embrião é digno, não apenas como pessoa, mas como ser humano. Essa posição não nega a dualidade, mas mostra que a dignidade repousa sob o conceito de humano porque este envolve o conceito de pessoa.


Palavras-chave


Pessoa; Ser humano; Dignidade; Embrião.

Texto completo:

PDF

Referências


BANTON, M. A idéia de raça. São Paulo: Edições 70, 1977.

BARBOUR, I. G. Religion in an age of science. London: SCM Press, 1990.

BRAATEN, C. E. A pessoa de Jesus Cristo. In: BRAATEN, C. E.; JENSON, R. W. (Ed.). Dogmática cristã. São Leopoldo, RS: Sinodal, 1990. v. 1, p. 462.

DUSSEL, E. Filosofia da libertação na América Latina. São Paulo: Loyola, 1977.

ENGELHARDT Jr., H. T. Fundamentos da bioética. São Paulo: Loyola, 1998.

GUATARI, F.; ROLNIK, S. Micropolítica: cartografia do desejo. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

JOÃO PAULO II. Evangelium vitae. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1995.

KÜNG, H. Projeto de ética mundial: uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São Paulo: Paulinas, 1993.

LEPARGNEUR, H. Bioética e o conceito de pessoa: esclarecimentos. In: PESSINI, L.; BARCHIFONTAINE, C. P. Fundamentos da bioética. São Paulo: Paulus, 1996. p. 89-107.

MELLO, L. G. Antropologia cultural: iniciação, teoria e temas. Petrópolis: Vozes, 1983. SANCHES, M. A. Bioética, ciência e transcendência. São Paulo: Loyola, 2004.

______. O negro em Curitiba: a invisibilidade cultural do visível. 1997. Dissertação (Mestrado Antropologia Social) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1997.

SCHWARCZ, L. M. Retrato em preto e branco. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

SEPÚLVEDA, J. G. As justas causas de guerra contra os índios (1547). In: SUESS. P. (Org.). A conquista espiritual da América Espanhola: 200 documentos - século XVI. Petrópolis: Vozes, 1992. p. 531-538.

SEYFERTH, G. A antropologia e a teoria do branqueamento da raça no Brasil: a tese de João Batista de Lacerda. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v. 30, p.81-98, 1995.

SINGER, P. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

SMITH, J. W. Culture of death: the assault on medical ethics in America. San Francisco, California: Encounters Books, 2000.




DOI: http://dx.doi.org/10.7213/pp.v2i1.13517

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Editora Universitária Champagnat

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.