Avaliação craniométrica e neurológica precoce de recém-nascidos pré-termo: estudo observacional
DOI:
https://doi.org/10.1590/fm.2026.39105Resumo
Introdução: Recém-nascidos pré-termo são mais suscetíveis ao desenvolvimento de assimetria craniana posicional, que por muito tempo foi tratada como questão estética, mas recentemente tem sido associada ao atraso no neurodesenvolvimento. Objetivo: Avaliar a prevalência de assimetrias cranianas posicionais e comparar a avaliação neurológica de recém-nascidos pré-termo, com e sem assimetria craniana, na alta da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Métodos: Trata-se de um estudo observacional, em que foram avaliados neonatos, com idade gestacional ao nascimento de 28 a 36 semanas e 6 dias, na alta da UTIN e com 40 semanas de idade gestacional corrigida. A simetria craniana foi medida com um craniômetro e o Cranial Index e o Cranial Vault Assymmetry Index foram usados para classificar as deformidades. A avaliação neurológica foi realizada pelo Hammersmith Neonatal Neurological Examination. Resultados: Cinquenta neonatos foram avaliados na alta hospitalar, dos quais 64% (n = 32) apresentaram assimetria craniana, sendo a dolicocefalia isolada mais prevalente em 66% (n = 21). Na idade equivalente a termo, 21 neonatos foram avaliados, dos quais 71% (n = 15) apresentaram assimetria craniana, sendo a plagiocefalia isolada e a plagiocefalia combinada com dolicocefalia mais prevalentes, com 40% (n = 6) cada. Os grupos com e sem assimetria não diferiram significativamente nas pontuações da avaliação neurológica, com escore total de 33 [IQR 31-34] e 33 [IQR 32-34], respectivamente (p = 0,885). Conclusão: Neonatos prematuros apresentaram elevada prevalência de assimetria craniana posicional na alta. A avaliação neurológica não mostrou diferença significativa no desenvolvimento neurológico dos recém-nascidos com assimetria craniana, sugerindo que essa deformidade parece não ter impacto no desenvolvimento neurológico precoce.
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