Avaliação da atividade bioelétrica dos músculos do assoalho pélvico em mulheres praticantes de cross-training: um estudo observacional transversal
DOI:
https://doi.org/10.1590/fm.2025.38128%20Resumo
Introdução: A incontinência urinária de esforço (IUE) é comum em praticantes de cross-training durante exercícios de alto impacto e pode ser decorrente da falha dos músculos do assoalho pélvico (MAP) em sustentar o colo vesical e a uretra. Objetivo: Avaliar a atividade funcional e bioelétrica dos MAP em praticantes de cross-training com e sem sintomas de IUE durante a prática esportiva. Métodos: Quarenta mulheres praticantes de cross-training por pelo menos oito meses ininterruptos, pelo menos três vezes por semana, 50 minutos por dia, foram divididas de acordo com a presença ou ausência de IUE. Utilizaram-se o Questionário Internacional de Consulta sobre Incontinência – Versão Curta (ICIQ-SF), a avaliação dos músculos do assoalho pélvico pelo esquema PERFECT, a eletromiografia de superfície dos MAP através o protocolo de Glazer e a bioimpedância tetrapolar para avaliação da composição corporal. A análise estatística foi realizada utilizando os testes de Mann-Whitney e t de Student. Adotou-se um nível de significância de 0,05 para todas as análises. Resultados: As participantes tinham idade média de 37,25 ± 7,80 anos e praticavam a modalidade há 34,5 meses em média. Mulheres com IUE (n = 16) apresentaram menor número de repetições rápidas e lentas (p = 0,052), menor intensidade de contrações tônicas da MAP (p = 0,054), maior tempo antes do pico das contrações fásicas (p = 0,041), maior tempo antes do pico das contrações tônicas (p = 0,009) e maior tempo após o pico das contrações tônicas (p = 0,006) do que mulheres sem IUE (n = 24). Conclusão: Mulheres com IUE durante a atividade física apresentam déficits no funcionamento das contrações das fibras musculares rápidas e lentas, bem como atividade bioelétrica reduzida nas fibras tônicas e fásicas da MAP. Além disso, essas mulheres frequentemente apresentam falta de sinergia abdominal-pélvica. Esses achados indicam uma importante relação entre parâmetros bioelétricos e a presença de IUE, fornecendo uma base para o desenvolvimento de futuras intervenções voltadas à prevenção e reabilitação da saúde.
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