As rachaduras do cuidado: subjetividade e trabalho afetivo na docência da infância

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7213/psicolargum.44.126.AO09

Resumo

A saúde mental na docência da Educação Infantil tem sido atravessada por crescentes demandas emocionais, exigências institucionais e intensificação do trabalho de cuidado. Inspirado na metáfora da rachadura presente em A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector, este artigo problematiza os processos de sofrimento psíquico produzidos no cotidiano de professoras da Educação Infantil. Ancorada na perspectiva cartográfica, a investigação acompanhou dez professoras da rede pública municipal do sudoeste do Paraná, buscando compreender como cuidado, responsabilização afetiva e condições de trabalho atravessam seus modos de subjetivação. As análises evidenciaram que o sofrimento psíquico não se restringe ao adoecimento individual, constituindo-se como produção relacional e coletiva associada à sobrecarga emocional, à invisibilidade do trabalho afetivo e à insuficiência de reconhecimento institucional. Simultaneamente, emergiram movimentos de resistência, criação e produção de vida que tensionam os processos de desgaste. Conclui-se que a metáfora das rachaduras do cuidado possibilita compreender a saúde mental docente como um território complexo, marcado por fissuras produzidas no encontro entre cuidado, subjetividade e trabalho.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Daniela de Maman, Unioeste

Professora Doutora Associada A da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), atuando nos cursos de Pedagogia e Medicina, vinculados aos Centros de Ciências Humanas e Ciências da Saúde, bem como no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/FB – Conceito CAPES 4), no Campus de Francisco Beltrão. Líder do Grupo de Pesquisa Psicologia, Saúde Coletiva e Saúde Mental (GEPSICO/CNPq) e membro atuante do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR). Desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão nos campos da Saúde Coletiva, Psicologia Social Crítica, Clínica Ampliada e Modo Psicossocial, articulando investigações e intervenções em contextos clínicos, institucionais, territoriais e comunitários. Sua atuação tem como foco os processos de subjetivação, a formação humana, a produção do cuidado e a ampliação das potências de vida, compreendidos na perspectiva da construção de modos singulares de existir. Coordena e participa de pesquisas científicas desenvolvidas na interface entre Psicologia, Educação e Saúde Coletiva, com ênfase nos processos de subjetivação, nas políticas de cuidado, na saúde mental e na formação de profissionais, sustentando uma perspectiva interdisciplinar que integra docência, pesquisa, extensão e experimentação institucional.

 

Downloads

Publicado

2026-09-30

Como Citar

De Maman, D. (2026). As rachaduras do cuidado: subjetividade e trabalho afetivo na docência da infância. Psicologia Argumento, 44(126), 1997–2018. https://doi.org/10.7213/psicolargum.44.126.AO09