Aposentadoria de docentes universitárias: fatores de proteção e envelhecimento bem-sucedido

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DOI:

https://doi.org/10.7213/psicolargum.44.125.AO03

Resumo

Este estudo buscou identificar os fatores que favorecem a adaptação de docentes universitárias à aposentadoria e sua articulação com o envelhecimento bem-sucedido. Participaram 12 professoras aposentadas de universidades federais de Minas Gerais. As entrevistas semiestruturadas foram submetidas à análise de conteúdo. Apoiando-se no paradigma life-span, no modelo de Seleção, Otimização e Compensação (SOC) e na teoria de recursos para a aposentadoria, o estudo identificou que a adaptação é um processo contínuo sustentado por condições pessoais, psicossociais e institucionais. No plano individual, autonomia, autocuidado, planejamento prévio e reorganização de projetos pessoais ampliaram agência e bem-estar. No nível psicossocial, a valorização da trajetória acadêmica, os vínculos afetivos e visões positivas do envelhecimento sustentaram a dimensão emocional. No campo institucional, emergiu a necessidade de políticas que reconheçam a aposentadoria como etapa do ciclo de vida docente, com desligamento gradual, vínculos voluntários, rituais de despedida e programas preparatórios sensíveis às desigualdades de gênero. No âmbito clínico, a psicoterapia mostrou-se recurso relevante para elaboração de perdas, fortalecimento de recursos pessoais e reorientação de projetos. Conclui-se que, quando vivida com planejamento, suporte e reconhecimento, a aposentadoria pode constituir indicador de envelhecimento bem-sucedido, sustentado pela diversidade de recursos e pela possibilidade de reinventar trajetórias em novas formas de continuidade. Ao evidenciar dimensões pouco exploradas, como o papel dos rituais de despedida e a centralidade das docentes mulheres na reconstrução do sentido do envelhecimento, o estudo amplia a compreensão sobre especificidades da transição no contexto acadêmico brasileiro.

Palavras-chave: Aposentadoria; Docentes universitárias; Envelhecimento; Adaptação; Identidade.

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Biografia do Autor

Maria Nivalda de Carvalho-Freitas, Universidade Federal de São João del Rei

Graduação em Psicologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (1987), mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2000), doutorado em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007) e Pós-Doutorado em Psicologia pela University of Greenwich - Inglaterra (2015). Atua como docente do Programa de Pós-graduação em Psicologia (Mestrado e Doutorado) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Pesquisadora Produtividade 2 CNPq (2009-2023). Atuou na área de Recursos Humanos durante 11 anos e atualmente é professora titular aposentada do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del-Rei. Coordenou o Programa Pós-Graduação em Psicologia (2015-2017). Participa como revisora ou consultora de revistas científicas nacionais. É membro de corpo de avaliadores de artigos científicos de congressos nacionais e internacionais. Foi membro da Câmara de Assessoramento da FAPEMIG - área de Ciências Sociais, Humanas, Letras e Artes, no período de 2008 a 2012. É líder do Núcleo de Pesquisa em Acessibilidade, Diversidade e Trabalho (NACE). Ocupou o cargo de Presidente da SBPOT - Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (Junho 2020 a Janeiro 2022). 

Pricila Cristina Correa Ribeiro, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui doutorado em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas e graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente, é professora do departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais na área de psicologia clínica em gerontologia.

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Publicado

2026-06-30

Como Citar

Faria Souto, J., de Carvalho-Freitas, M. N., & Correa Ribeiro, P. C. (2026). Aposentadoria de docentes universitárias: fatores de proteção e envelhecimento bem-sucedido. Psicologia Argumento, 44(125), 1631–1650. https://doi.org/10.7213/psicolargum.44.125.AO03