Desafios e experiências de profissionais da saúde e assistência social no luto gestacional e neonatal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7213/psicolargum.44.126.AO06

Resumo

No Brasil, o elevado número de perdas gestacionais e neonatais constitui problema de saúde pública, agravado pela frequente invalidação do luto materno e familiar. Essas perdas podem gerar repercussões emocionais profundas, muitas vezes minimizadas por profissionais que, sem preparo, encontram dificuldades em oferecer atendimento que seja, ao mesmo tempo, técnico, mas também empático e acolhedor. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo compreender a atuação de profissionais de saúde e assistência social diante de mortes gestacional, perinatal e neonatal, identificando sentimentos, atitudes, desafios e recursos utilizados. A pesquisa, de caráter qualitativo e empírico, foi realizada junto a 21 profissionais atuantes em um hospital público e quatro Unidades Básicas de Saúde, em uma cidade do interior de Pernambuco. A coleta ocorreu por entrevistas semiestruturadas, investigadas segundo a Análise de Conteúdo de Bardin. Emergiram duas categorias: I) percepção dos sentimentos dos profissionais diante da perda; II) integração multiprofissional e ausência de protocolos específicos. Os achados mostraram que tais mortes provocam desgaste emocional nos profissionais e conduta pouco assertiva e afetiva junto aos enlutados, revelando a necessidade de fortalecer competências técnicas e humanísticas, bem como promover a construção de protocolos que orientem condutas, embora a Lei nº 15.139/2025 já encaminhe direções e processos. Conclui-se que, apesar de avanços, são necessárias mudanças estruturais e educacionais para garantir um cuidado integral, ético e humanizado às famílias enlutadas.

Palavras-chave: perda gestacional; morte neonatal; luto; profissionais; desafios; vivências.

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Publicado

2026-09-30

Como Citar

Cordeiro, M., & de Sousa Mendonça, E. (2026). Desafios e experiências de profissionais da saúde e assistência social no luto gestacional e neonatal. Psicologia Argumento, 44(126), 1954–1969. https://doi.org/10.7213/psicolargum.44.126.AO06