Ensino religioso no Amapá: intolerância contra as religiões de matrizes africanas

Autores

  • Elivaldo Serrão Custódio Faculdade EST, São Leopoldo, RS, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.7213/2175-1838.09.001.AO01

Resumo

O presente artigo tem como objetivo discutir sobre o Ensino Religioso (ER) e a intolerância contra as Religiões de Matrizes Africanas (RMA) no Espaço Escolar no Amapá. Acredito que, ao tratar das RMA no espaço escolar, precisamos implementar novos olhares sobre a nossa prática pedagógica, propiciando a construção da identidade do aluno e um espaço escolar capaz de lidar com as diferenças nas quais se inserem a escola e sua comunidade. Trata-se do resultado de um estudo exploratório de natureza qualitativa que adotou a pesquisa bibliográfica, a análise documental e a entrevista como forma de investigação. Como resultado desta pesquisa, verifica-se, por exemplo, que, no Amapá a Secretaria de Estado de Educação (SEED), mesmo com promulgação da Resolução do Conselho Estadual de Educação – CEE/AP nº 14/2006, que dispõe sobre a oferta do ER no nível fundamental do sistema educacional do Estado, tem ignorado a participação das entidades civis constituídas pelas diferentes denominações religiosas no currículo da disciplina de ER. Constatou-se ainda que, no Amapá, entidades formadas por algumas igrejas cristãs, em trabalhos articulados com a SEED, respondem pelo ER, deixando de lado assim importantes representações locais como as entidades de matrizes africanas.

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Publicado

2017-04-27

Como Citar

Serrão Custódio, E. (2017). Ensino religioso no Amapá: intolerância contra as religiões de matrizes africanas. Revista Pistis Praxis, 9(1), 259–280. https://doi.org/10.7213/2175-1838.09.001.AO01