O Monstro na câmara nupcial

Asmodeu e sua função narrativa no livro de Tobit

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7213/2175-1838.18.%20e2634932

Palavras-chave:

Tobit, Asmodeu, Crítica Narrativa, Segundo Templo

Resumo

O presente artigo analisa a construção literária e a função teológica da figura demonológica Asmodeu no Livro de Tobit, uma novela didático-sapiencial do período do Segundo Templo. A investigação parte da premissa de que a caracterização de Asmodeu como um personagem plano (flat character), conforme a terminologia de E. M. Forster e o refinamento metodológico de Cornelis Bennema não constituem uma limitação estética, mas uma estratégia narrativa deliberada para enfatizar a soberania da Providência divina em detrimento do fascínio demonológico. Metodologicamente, o estudo adota a Crítica Narrativa e uma abordagem sincrônica, priorizando a análise do texto em sua forma final, com especial atenção às recensões gregas (GI e GII) e aos testemunhos de Qumran. Por meio da técnica de leitura atenta (close reading), examina-se como a opacidade psicológica de Asmodeu, definida por uma motivação obsessiva e estática, permite que ele opere como o motor da trama (a “vilania” proppiana), catalisando o conflito que justifica a intervenção do arcanjo Rafael. No plano exegético, o trabalho demonstra que Asmodeu atua como o “Inimigo da Torá”, ao se opor sistematicamente ao mandamento da endogamia (Nm 36,6-8). Ao inviabilizar o matrimônio legítimo de Sara e ameaçar a continuidade da linhagem israelita, o demônio transubstancia-se na personificação da “morte de Israel” na Diáspora, representando os riscos da assimilação cultural e da desintegração identitária no exílio. Por fim, discute-se o desfecho do embate, no qual a derrota de Asmodeu e seu aprisionamento no Egito simbolizam o restabelecimento da ordem criacional e o triunfo da fidelidade à Lei. Conclui-se que o Livro de Tobit utiliza a “estética do sobrenatural” para organizar as ansiedades sociorreligiosas do judaísmo helenístico, reafirmando que a oração, a caridade e a observância das normas de parentesco são as ferramentas eficazes para a sobrevivência e a restauração nacional frente ao caos da dispersão.

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Biografia do Autor

Vinicius Moletta, Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP)

Sou Mestrando em Teologia pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), também exerço a função de Pastor Distrital. Minha pesquisa acadêmica está profundamente enraizada na Teologia Bíblica, com especialização e foco hermenêutico no Novo Testamento, dedicando atenção especial ao Livro do Apocalipse. Meu principal objetivo é contribuir significativamente para uma melhor compreensão exegética e teológica do Apocalipse, buscando clareza interpretativa e relevância para a aplicação prática no contexto contemporâneo.

Carlos Olivares, UNASP

Carlos Olivares nasceu no Chile. Obteve o PhD em Teologia (Estudos Bíblicos) pela Universidade de Auckland (Nova Zelândia). Sua área de interesse é o Novo Testamento, em particular o Evangelho de Mateus, os evangelhos apócrifos, a hermenêutica, a exegese e o Livro do Apocalipse. Atualmente, é professor associado de Novo Testamento na Universidade Adventista de São Paulo, Brasil.

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Publicado

2026-09-29

Como Citar

Moletta, V., & Olivares, C. (2026). O Monstro na câmara nupcial: Asmodeu e sua função narrativa no livro de Tobit . Revista Pistis & Praxis, 18, e2634932. https://doi.org/10.7213/2175-1838.18. e2634932

Edição

Seção

Artigos